sábado, 8 de abril de 2023

Por Oferendas Que Sejam Mais Sustentáveis.

Substituir o material não biodegradável que o adepto irá utilizar nas oferendas que serão entregues nos ambientes naturais, por um material que seja biodegradável, é respeitar a morada das divindades, conceito mais africano do que esse seria impossível. É o vidro que deve voltar sem deixar que a bebida oferecida fique ali, onde o adepto arriou, é deixar que o alimento também fique ali de forma que não deixe futuros cacos de louça, de vidro, que possam oferecer algum risco aos humanos e aos animais que por ali transitarem; e qual o porque de se oferecer um tecido artificial quando há condição de se oferecer um que seja 100% natural? Mas para isso é preciso consultar às divindades, ou mesmo basear-se em um conhecimento ancestral passado por gerações.

É necessário saber se a folha ou o fruto empregado (por exemplo uma cabaça, um coité, ou uma cuia de coco) na oferenda será bem aceito, é fundamental saber para proceder. De uma formal geral existem vários tipos de folhas empregadas para conter alimentos, mas cada uma tem uma finalidade, são empregadas especificamente, para cada caso, para cada divindade, para cada kpoli (odu, Du, signo do Ifá). Existe também a questão regional da existência da folha e ter que substituir por outra, aqui a consulta é fundamental, e isso ocorreu com a vinda do culto do oeste africano para as Américas, como no Brasil, e de uma região para outra há diferenças biogeográficas.

Houin (folha de huim, Pêssego -da-Guiné). 
 



 



domingo, 2 de abril de 2023

Búzio Dinheiro e Búzio de Jogo, as Diferenças.

 

  .                                  .      Owo Eyó (dinheiro)



 O búzio, conhecido na frase da língua iorubá “owo eyo” (Cypraea moneta), era um dos tipos de pagamento mais populares e amplamente utilizados no mundo, foi a primeira moeda na China; coexistiu por muito tempo com muitos outros tipos de moeda na África Ocidental, onde substituiu o sistema de escambo, incluindo ouro em pó, moedas de prata, pedras de sal, etc. Os búzios utilizados no comércio, bem como aqueles que eram utilizados na prática religiosa entraram no oeste africano através dos comerciantes árabes que buscavam produtos no oriente para vender no ocidente, são conchas com o origem no Oceano Índico, diferentes dos búzios naturais do oeste africano. 

O Império Mali foi o introdutor do uso do cauri no comércio, fato incentivado pelo colonizadores que com isso pode ampliar os seus negócios. Os comerciantes africanos no Daomé no Período Colonial não estavam acostumados com papel e escrita, notas promissórias; da mesma forma, os comerciantes europeus hesitaram, a princípio, em receber por conchas. Ainda que com a lei francesa de 1907 a resistência ao uso exclusivo da moeda do colonizador foi muito prolongado, observando-se o cauri na atividade comercial do Dahomey até 1940.  

Essas conchas eram arrumadas em barbantes. 40 búzios formam 1 barbante de cordão; 50 cordões formam 1 cabeça de cordões, cerca de 2.000 búzios, enquanto 10 cabeças de cordões formam 1 saco (akpò kan), que contém cerca de 20.000 búzios no total.  

O owo erò (Cypraea annulus) é o búzio dedicado à prática religiosa da consulta às divindades, um hábito geomântico muito comum por todo o oeste africano, em distintas formas de jogos adivinhatórios, de distintas culturas. É comum vermos búzios serem lançados sobre uma peneira de palha, um tecido, ou mesmo sobre o solo, onde procura-se uma orientação espiritual para uma questão. 

O uso do owo eyò era como moeda, o uso do owo erò era e ainda é para a prática religiosa da consulta às divindades. Ambos os búzios possuem formas próprias, no owo eyò podemos notar algumas protuberâncias ou "abas" laterais, no owo erò essas protuberâncias são inexistentes.

Os búzios quando são utilizados para jogo dentro do Candomblé vêm em número de leitura que pode variar segundo a prática religiosa, a nação e o segmento, acrescido do oye que pertence ao guardião do jogo Lègba ou Esu (Exu). O número de conchas que designadas ao Oye (oiê) determina a nação à qual pertence aquele jogo, no jeje geralmente são três.

Geralmente o sexo das conchas acompanha o sexo dos voduns, inkices ou orixás envolvidos naquele jogo, e para saber o sexo de cada concha basta observar antes de sua abertura, o volume de sua protuberância, a conchas mais protuberantes, na parte que será removida, são fêmeas.


Owo erò , búzio de jogo.

 

segunda-feira, 27 de março de 2023

Tete Egun

 

O gênero Costus possui mais de oitenta espécies 

catalogadas, e todas são de regiões tropicais.


 

A espécie Costus spicatus, popular cana do brejo; cana de macaco, 

de propriedade diurética suave, é originária da região do Caribe; 

comumente encontramos essa espécie no Brasil.

 


 

 

A espécie africana Costus afer que é denominada Tete Egun pelos 

yorubás e nagôs é a mais comum no oeste africano, onde tem várias 

aplicações medicinais e alimentares, inclusive servindo seu talo na 

preparação da refeição diária das hunsis desde os adjás e evês.

 



terça-feira, 21 de março de 2023

Atakun

 



As sementes Atakun (Atacum, Pimenta  da costa), denominadas Atarè (Atarê) pelos nagôs e iorubás, são utilizadas como alimento, contra as traças de cerais na lavoura, no tratamento de várias doenças, muitas vezes outras partes da planta são utilizadas, e também nas práticas religiosas. 

O conhecimento terapêutico está diretamente associado à religiosidade, são os credos através dos sacerdotes e sacerdotisas (vodunons e bokonons) que detém toda uma oralidade repassada por gerações, e que fazem perpetuar a terapêutica.

Não se inicia para o vodun sem o uso do Atakun, estes grãos possuem aplicação no preparo de alimentos, muitos atchins (atchins, pó do vodun) e várias outras práticas.

domingo, 19 de março de 2023

Tegbetegbé

 


 A vassourinha-de-curral é um planta sagrada que pertence ao rei Tegbessu, do "Danxomè". É  denominada Tegbetegbé em gungbê e muito comum por todo Benim.

Possui inúmeras aplicações medicamentosas, destaco aqui sua ação eficaz no combate à  malária e à febre tifóide.

Suas folhas são amassadas e misturadas com óleo de palma para tratar essas doenças, e ingerido o preparado em 1 colher de sopa pela manhã e outra à noite; também são consumidas na forma de infusões (chás) de uso diário por cerca de 15 dias.

sábado, 18 de março de 2023

Voduns e Deuses Hindus.

 

Foto em África Online Museum

 

Como os deuses hindus se sobrepuseram aos deuses Voduns no oeste da África.

Traduzido do Fórum Nairaland.

Vale à pena conferir.

 

 "Em resumo, há uma longa história de presença indiana na África Ocidental. Cromolitografias hindus (imagens coloridas produzidas em massa) circularam e praticantes locais de Vodun em países como Gana, Benin/Togo, etc., perceberam suas próprias divindades nessas imagens coloridas. Por exemplo, a divindade hindu Lakshmi foi identificada como Mami Wata. O mesmo vale para Shiva, Dattatreya, Ganesh e outros. Ou seja, as " imagens " originalmente hindus foram adotadas e adaptadas ao Vodun, e agora representam divindades Vodun. Se você quiser saber mais, consulte o capítulo 4 "'India,' Chromolithographs, and Vodun" no novo livro: Vodun in Coastal Bénin.

Centrada no antigo porto de escravos de Ouidah, Benin, a pesquisa de Dana Rush se estende pelo Togo até Gana, uma região onde trocas de histórias, ideias e sistemas de crenças recebem formas materiais. Esta é uma terra onde as imagens de Xangô, Jesus e Buda representam Deuses de Vodun; onde divindades hindus e Vodun coexistem em simbiose; onde os espíritos de pessoas escravizadas há 150 anos são homenageados pelos filhos de seus mestres há muito perdidos; e onde as imagens, artistas e espíritos haitianos, brasileiros e cubanos permanecem relevantes para as práticas contemporâneas da África Ocidental.
O livro é ricamente ilustrado com fotografias coloridas de santuários Vodun, pinturas de paredes de templos, mascaradas e cromolitografias hindus.

Este livro é a primeira publicação de uma nova série chamada "Investigações Críticas da Diáspora Africana". A série cresce a partir de Issues in Critical Investigation, uma iniciativa da Vanderbilt para ajudar acadêmicos juniores por meio de feedback crítico de professores seniores, simpósios anuais e competições de prêmios em humanidades e ciências sociais. O Vodun de Dana Rush na costa de Benin é o vencedor do primeiro Prêmio Anna Julia Cooper em Humanidades."

In https://www.nairaland.com/1468086/how-hindu-gods-became-overlapped

 

 

 

 

 

quinta-feira, 16 de março de 2023

A Cobrança Em Dinheiro Pelos Trabalhos Nos Terreiros.

 É muito comum vermos alguma quantia em dinheiro ser cobrada nos trabalhos para os clientes nos terreiros. Seria errado isso? Lógico que não! Em um terreiro não se paga somente a água e a luz, e muitas vezes o sacerdote dispensa integralmente seu tempo dentro de sua atividade religiosa, assim como ocorre em outras religiões.

Qual seria a forma de cobrança dentro do candomblé?

Não existe um modelo direto, uma forma, um paradigma de cobrança pela consulta ou pelo trabalho, tanto para quem pode pagar, quanto para quem precisa ser assistido, mas não tem condições de pagar.

Em geral quem precisa de uma consulta paga o preço que foi cobrado, àquele que não pode pagar em geral é simbólica esta cobrança, deixada para um dia em que possa pagar por ela, ou quando no caso de ser um filho do vodum da varíola deixada de lado essa cobrança, assim como nos trabalhos desenvolvidos (um hábito herdado do sincretismo com São Roque/ São Lázaro). 

Muitos sacerdotes recorrem à ajuda dos outros clientes, membros integrantes da casa para que a obrigação de quem necessita seja feita, o que era a função do corpo de ogães de um terreiro outrora.

Por influencia do Fá muitas casas preferem cobrar seu preço pelo jogo, para olhar os agês (jogar búzios), e estimado o valor que será gasto no trabalho, multiplicar por três e cobrar o total, em alguns casos acrescido do número sete. A terça parte é a "salva" do terreiro, do dirigente para o seu gasto e com seus deveres para com seus voduns.

Outras casas cobram bem além do que se irá gastar, e por algum motivo. Não existem regras gerais, cada casa é um caso. O importante é o consulente sentir-se bem e que está tendo a atenção e a palavra correta na orientação para a resolução de seus problemas.






quarta-feira, 15 de março de 2023

Adjikutin

 

 


Adjikutin

Caesalpinia bonduc., L.

As raízes da árvore Adjikutin são utilizadas para tratar a impotência sexual e problemas venosos envolvidos.

terça-feira, 14 de março de 2023

Gbe Woli


Gbe Woli

II  I

I   I

I   I

II  I

 

"A morte aguarda pelo marido da esposa que trai."

Procure se autoavaliar: suas próprias palavras sua conduta, suas ações para saber por que sua mulher o trai, nem sempre a culpa é da mulher, mas do próprio homem.





domingo, 12 de março de 2023

Hissopu

 O hissopu ou hounman (Hyssopus officinalis- Hissopo; Alfazema de Caboclo) é uma planta de limpeza, de defesa e medicinal. Antes do bokonon (sacerdote do Fá ou Afá) iniciar o jogo, ele limpa as mãos com a folha de hissopu; Colocada de baixo de onde se dorme, previne contra ataques de forças maléficas durante o sono; O chá da Alfazema de Caboclo trata afecções pulmonares e doenças do trato digestivo, dentre outras.

A Ayurveda utiliza o Hyssopus officinalis em seus tratamentos; é muito popular na região do Himalaia onde é encontrada com muita facilidade.

É uma planta citada na Bíblia e muito difundida pelo Mediterrâneo e povos do Oriente Médio devido às conhecidas propriedades medicamentosas.




quarta-feira, 8 de março de 2023

O Uso do Óleo de Olivas Para Voduns e Orixás.

 

Acredita-se que o cultivo da oliva tenha se originado nos povos do Mediterrâneo há pelo menos cinco mil anos atrás, mas foi na Grécia que esse cultivo e a produção do óleo de olivas (azeite de olivas; azeite doce) tomou impulso significante.

No oeste africano o óleo de palma sempre foi o mais significativo para as culturas e tradições religiosas, sendo o dendezeiro considerado uma árvore sagrada pelos praticantes dos cultos de orixá, Vodum, Ifá e seus segmentos.

Mas o uso do óleo de olivas (azeite de olivas; azeite doce) nesses cultos seria comum no oeste africano? Eu diria que sim, nas igrejas cristãs, pois é próprio da cultura religiosa cristã, hebraica e correlatas, assim como o óleo de palma é próprio para a nossa.

O uso do óleo de olivas aparece na diáspora em uma época em que o acesso ao óleo de palma africano era praticamente impossível, e isso se determinou muito por regiões no Brasil, onde a produção do óleo de palma à partir de um dendezeiro próprio da região, de menor porte que o Elais guineensis, africano, já era muito comum entre tribos indígenas da região amazônica. Com isso o uso do óleo de olivas nos cultos afro-brasileiros não se tornou tão significativo na região da Amazônia, como se tornou na Bahia, em Pernambuco e no Rio de Janeiro. E nem tão significativo no Rio Grande do Sul, onde as raízes afrobrasileiras do norte, desde a época da migração nordestina devido à seca que matava o gado, permanecem muito fortes até  os dias de hoje, dentro do Batuque gaúcho.

Na oeste africano, alguns voduns e orixás até aceitam o azeite doce, mas são pouquíssimos e nem sempre, a divindade que mais o aceita e recebe é Ossâe (Osanyin), orixá das folhas e das matas, senhor dos segredos e remédios das ervas. Ossâe aprecia muito o óleo de olivas, mas os outros orixás recebem o óleo de palma.

A manteiga de carité (ori, limu) também é utilizada, mas o básico é mesmo o óleo de palma, que denominamos azeite de dendê, para a grande maioria de orixás e voduns.




terça-feira, 7 de março de 2023

Costumes, Hábitos e Sacrifícios Diferentes.

 

É  muito comum certas populações ao redor do mundo terem um cardápio, para nós, de costumes e hábitos diferentes, um tanto assustador, observamos esse fato, na China, na Coréia do Sul, e em muitos países africanos, como na Nigéria e no Benin em certas localidades.

Os árabes introduziram inúmeros vegetais, especiarias, animais e metodologias no norte e oeste africano, depois deles foi a vez do colono europeu. Então nos perguntamos, qual seria o cardápio nessa região do continente antes da presença árabe?

É sabido que o produto do plantio é agradecido às divindades na colheitas desses povos e são épocas de festejo, muitos grãos, frutos e legumes são próprios da região, mas a maioria dos animais que foram introduzidos no solo africano, não são de selva ou de savana.

O que é muito importante, para nós de religiosidade afrodescendente é compreendermos que esses povos oferecem para suas divindades o que é comum em seu território, assim vemos o oferecimento de cães, gatos, ratos, sapos e outros animais em sacrifícios ritualístico e banquetes de festejos.

No Brasil, como certos animais não fazem parte do cardápio do brasileiro, esses hábitos não penetraram. Às divindades são oferecidos o que há de melhor no cardápio de cada povo, em forma de agradecimento pela comida, pela colheita, por um evento ou como um pedido de proteção na vida, ou de prosperidade (oferecimento de frutas). Só não devemos oferecer o que não faz relação com a divindade ou lhe é um interdito,  ou do que não gostamos, ou não nos apraz, seria um gesto desprezívo, um pensamento comum, tanto na África, quanto na diáspora.


 

Foto em: https://steemit.com/science/@tosyne2much/10-weirdest-animals-eaten-by-nigerians-8fb020263b6ba

 


sexta-feira, 3 de março de 2023

Tradição e Realeza nos Terreiros de Jeje.

 O livro Tradição e Realeza nos Terreiros de Jeje, com significativas postagens do blog PAPOINFORMAL, e outros assuntos pertinentes ao Jeje, pode ser adquirido pelo nosso e-mail: 

                                                  ifabimi@yahoo.com

Confira!

Brevemente teremos o lançamento de mais uma obra significativa dentro do candomblé.

PAPOINFORMAL sempre procurando esclarecer e divulgar a nossa prática religiosa, na medida do que pode ser divulgado, respeitando o sagrado.

ifabimi@yahoo.com
 
 

 


quarta-feira, 1 de março de 2023

Mahin Não é Mahi.

Muita gente faz confusão do Território Mahi em Benin com a área Mahin do antigo Reino Mahin no Estado de Ondó na Nigéria, e chegam a se entitularem Jeje Mahin, tenho observado em algumas postagens de links que me enviam para leitura

É nosso dever alertar são territórios distintos e distantes um do outro, não devemos confundir as palavras Mahi e Mahin.

 

In: https://yo.m.wikipedia.org/wiki/Il%E1%BA%B9%CC%80_Yor%C3%B9b%C3%A1

terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

Gbessem, o Espírito da Vida.




Os Huedas eram oriundos de Ayó (Oyó) eram ayonus, portanto um 

povo de origem iorubá e em êxodo chegaram ao Vale do Uemê, 

território Mahi, até a cidade de Tado,  quando imigraram rumo ao sul. 

Enfrentaram muitos problemas devido ao grande número de 

imigrantes nas áreas, muitas vezes deficientes, em que se 

instalaram, então uma pequena parte deles prosseguiu na rota sul 

pela margem do Rio Mono chegando à Agonmeseva.


Sob a liderança de um príncipe de Tado denominado Ahoho, 

eles chegaram à Região de Guezin e rumaram para Huetokpa 

em Savi, Uidá, onde se deu início ao que seria o futuro reino e que 

mais tarde esse reino passa a fazer parte das conquistas do Rei 

Agajá como uma possibilidade de expansão para a costa marítima, 

sem ter que pagar tributos ao reino vizinho.

Por todo o trajeto migratório, os Huedas por onde passavam e onde 

se estabeleciam de forma provisória para descansar e conhecer 

melhor a terra, propagavam o culto sagrado ao vodum Dan 

Aydohwedo, a serpente sagrada, denominada Gbé (Gbè) pelos 

mahis, e que significa vida (Gbesen- espírito da vida- Gbessem).

Os mahis denominaram a árvore sagrada de Gbessem 

(Newboldia laevis) por Ahoho, fazendo alusão ao príncipe.


Uma lenda conta que a serpente sagrada veio do céu para a 

Terra enviada por Mahu (a deusa suprema) para proteger a todos 

os voduns nagôs, e também dar a sua benção e proteção aos seus 

filhos.

O culto a Gbé em Abomey foi estabelecido na floresta sagrada de 

Gbé, o Gbezum (Gbèzun), local onde dizem que o vodum, 

em certa ocasião, apareceu para um homem chamado "Ja" 

-a palavra Ja significa "ver, enxergar"-, quando ele caminhava 

pela floresta, mas não apareceu de imediato, ele ouviu alguém 

cantar uma canção olhou, olhou e não viu ninguém, ficou 

muito assustado, então, foi embora. 

Preocupado com o acontecido decidiu retornar ao local para 

procurar quem cantava, e a musica continuou, só que o ritmo 

agora estava mais acelerado, mas Ja nada via… Não havia 

ninguém ali, a não ser ele mesmo! Resolveu procurar um sacerdote 

do Fá (um bokonon, um adivinho) e se foi… O adivinho consultado 

lhe disse  que a música que ele ouviu estava sendo cantada pelo 

vodum Gbé, um vodum que teria vindo de Jaluma para habitar 

naquela floresta.


No dia seguinte, obviamente para cumprir algum preceito sagrado 

da adivinhação, determinado pelo bokonon, Ja penetrou na 

floresta pela manhã, bem cedo, e  pode ver quem entoava aquele 

cântico: uma grande serpente com duas cristas vermelhas na 

cabeça que estava toda enrolada em uma árvore, era o vodum Gbè.

Por essa razão até hoje Ja carrega o presente para Gbessem 

nos terreiros de Candomblé Jeje Mahi quando é realizado o "boitá" 

(Gbo-etá, que significa carregar sobre a cabeça), essa lenda 

justifica também a razão pela qual as árvores consagradas ao 

vodun Gun são genericamente denominadas Jassu, pertencem a 

Gun Ja (Ogum Já), assim como o vermelho das cristas da cabeça 

de Gbé é a cor de Ogum entre os nagôs, o povo protegido por Gbé.

 

 

 Uma cantiga muito entoada nos candomblés de Jeje Mahi lembra:


Ja, Ahoho kpekpele,

Ja, Ahoho kpekpele

Kpekpele! Gunja nde

Aholu Gbesen nde

Kpekpele! Gunja nde,

Aholu Gbesen nde.


Veja tem pato no Ahoho

Veja tem pato no Ahoho

Pato! Ogunjá está chamando,

Chamando o Príncipe Gbesen.

Pato! Ogunjá está chamando,

Chamando o Príncipe Gbesen.

 

Obs kpekpele (pepelé) vem do iorubá kpekpeye. 

................................................................................ 


 


Vídeo:Prof Dr David Koffi Aza da Aunor

Dã Kó (cantiga)


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

Ogum Timbiri

 

Gou- Escultura de Akati no Museu do Louvre (Wikipedia).


Ogum foi uma divindade muito aclamada pelos seus fiéis durante guerras, revoltas e batalhas pelo fato de ser vencedor de demanda. 

Destaco aqui, em breves linhas que alguns adeptos da Umbanda de hoje consideram Ogum Timbiri como se fosse uma  entidade japonesa associada à Linha do Oriente. Na época da segunda grande guerra surgiu nos terreiros de Umbanda do Rio de Janeiro um lindo ponto cantado que fazia referência à Ogum Timbiri e dizia: "olha as ondas do mar oh! Japonês, olha as ondas do mar; segundo outros entoadores olha as costas do mar oh! Japonês, olha as ondas do mar!" Como quem diz: presta atenção japonês, você vai perder essa guerra… Não devemos associar Ogum a nenhum regime político, sequer imaginar que a divindade seja excludente de alguma raça, o papel aqui para os seus seguidores é o de intercessor. 

Quando dizemos Ogum Timbiri (Ogun ti igbi ri) estamos dizendo que Ogum foi visto pelas ondas. 

No candomblé alguns cânticos de Timbiri tenderam a se confundir com Biriri, e até mesmo com Tiriri. Numa dessas cantigas é dito ele ser o primeiro chefe de Kpossu, o primeiro chefe do campo de batalha de Kpossu (Ogun Timbiri ta nu Kpossu ta de, Ogun Timbiri ta nu Kpossu Gbeta).   

Ogun yè!   

Ponto cantado

Ponto cantado 2