sexta-feira, 9 de junho de 2023

As Origens Africanas do Vodu.

 

 
"Festival Internacional do Livro e do Cinema"

"Viajantes Incríveis
Porto Príncipe 2016
As origens africanas do vodu.
Por: Lilas Desquirons"

"O vodu do Haiti é um sincretismo, ou seja, uma estrutura religiosa resultante da reunião de elementos emprestados de várias outras religiões. Desenvolvendo essa linguagem comum, bem no seio das fazendas de São Domingos, os escravos trouxeram à tona o que havia de comum entre as diversas etnias reunidas pelo tráfico negreiro. A origem daomeana do vodu, bem como as influências católicas que foram enxertadas nele, foram apontadas muitas vezes. A história do tráfico negreiro ensina-nos, porém, que as fontes africanas do vodu estão longe de terem sido exploradas em toda a sua riqueza: o exame das origens étnicas dos escravos de São Domingos esclarece-nos sobre a génese e a natureza do a religião do povo haitiano: de facto, era preciso fazer uma síntese profunda entre as diferentes heranças tradicionais das tribos cujos representantes, estacionados ao acaso nas plantações, viram-se pela primeira vez sujeitos a um destino comum. Além da diversidade de origens, formou-se uma religião que testemunha uma grande unidade de inspiração. No Haiti, como no Brasil, não há cultos separados de acordo com as etnias inspiradoras: o vodu engloba e harmoniza em uma única estrutura o aluvião nele depositado pelas culturas que o alimentaram.

Apesar da variedade da paisagem étnica de São Domingos, duas linhas de força dominam a composição das populações reduzidas à escravidão: por um lado, os povos da antiga Costa dos Escravos e, em particular, os daomeanos, que deram ao vodu o seu quadro geral, a sua estrutura; por outro lado, os bantos da África Central que receberam esse impulso fundamental, enriqueceram-no e transformaram-no, enfim, foram os mais consideráveis ​​afluentes da fonte daomeana.


O assentamento de Santo Domingo e o nascimento do vodu.

O estudo das origens étnicas dos escravos da colônia francesa de Saint Domingue é a base essencial de qualquer trabalho sobre a fisionomia cultural do povo haitiano hoje. Esses homens, que a febre colonial do Ocidente arrancou de suas terras para mergulhá-los no inferno da escravidão, realizaram o milagre de sobreviver e dar nova vida a seus costumes, suas crenças, sua cultura. É através deste património piamente preservado que os seus descendentes continuam a pensar e a existir até hoje.

Os escravos tratados na Costa dos Escravos são designados nos registros da época por vários termos inclusive o de Arada, “pronúncia corrompida de Ardra, nome de um dos reinos da Costa dos Escravos. Vários grupos estão unidos sob este termo. A história da formação do Reino do Daomé nos ensina que as etnias cujos prisioneiros de guerra eram vendidos a traficantes de escravos, dada a semelhança de suas culturas, fundiam-se com muita facilidade em uma única entidade: "com esta expressão designamos os escravos vindos do leste da atual Gana, Togo e Daomé. Quase todos haviam embarcado na costa de Judá, Wuyda ou Ouida hoje em dia, e é sua comunidade de língua (arada) que, aos olhos dos colonos, formava sua unidade. »

Entre os escravos tratados em Ouidah, havia poucos Fon. Os súditos do rei de Abomey, de fato, não podiam ser vendidos como escravos: “qualquer indivíduo, no Daomé, que não fosse nem nobre nem escravo era anato (plebeu)... , ninguém poderia vendê-lo como escravo, nem mesmo o rei”. O rei até tentou muitas vezes resgatar seus súditos feitos prisioneiros pelo inimigo para que não fossem vendidos a traficantes de escravos.
Havia, no entanto, Fon entre os escravos - mas eles eram então criminosos ou rebeldes que o rei vendeu em vez de matá-los.
Por outro lado, os ex-moradores Gédévi (filhos de Guedê) da região foram vendidos em bloco pelos invasores aos traficantes de escravos e foram transportados em sua maioria, ao que parece, pera o Haiti. De fato, o culto de Gédé quase desapareceu em Abomey, enquanto no Haiti é uma das famílias Vodun mais importantes. Quatro de seus voduns são divindades importantes do panteão haitiano: Azaka, Agassou, Bossou, Dossou.

Os primeiros escravos tratados em Saint Domingue, Ouolof, Toucouleur, Peul, Mandingue, Bambara foram comprados em Saint Louis no Senegal. Muito apreciados pelos colonos, nunca estiveram em São Domingos senão em número limitado, considerados verdadeiros "produtos de luxo" que os grandes fazendeiros se ofereciam a preços exorbitantes. Esses escravos eram geralmente islamizados. Digamos desde já, já que não voltaremos mais a este assunto, que deixaram vestígios no vodu haitiano: "Certos grupos de Loas próximos aos Congos e aos Petros falam uma língua em que se encontram palavras e frases árabes, como bem: “Salam! Salam Malekum! Salada! Salam meu Salay! ". (Loas conhecidas como “Loas Sinégal”). »


A partir de 1777 começa em Santo Domingo a idade de ouro dos Congos. Chegam em grande número, pois nos últimos vinte anos do comércio, os grandes canaviais atingiram todo o seu potencial. “Colocamos sob este nome os escravos tratados no sul do Benim, nas costas dos Camarões, da Guiné Espanhola e parte de Angola. Quando se tratava de verdadeiros congoleses, falávamos de Franc Congos. Muitos
Congos chegam batizados à América: “Há muitos Congos que têm ideias de catolicidade, especialmente os do rio Zaire. Chegaram-lhes dos portugueses”. Os Congos do Brasil também serão cristianizados e terão um papel ativo no sincretismo das religiões da África Ocidental com o catolicismo. Certamente foi o mesmo em Santo Domingo.

Diante do vazio deixado pelo desenraizamento da terra original, os escravos tiveram que encontrar uma linguagem comum, redefinir-se como um grupo homogêneo. Essa característica é ainda mais evidente no Haiti do que no Brasil: e é por isso que no Haiti ocorreu a única revolta de escravos bem-sucedida no mundo. Ainda permanece no Brasil uma divisão bastante clara entre os diferentes ritos étnicos: no Haiti, todos os rituais se fundiram em uma única e mesma religião que permanece para o povo haitiano o mais poderoso fator de unidade.

A cultura africana, graças ao seu papel equilibrante, permitiu a assimilação de novos valores, deu conteúdo a novas solidariedades e permitiu que uma nova classe social nascesse e se definisse numa perspectiva libertadora. Ela teve que fazer isso, mantendo-se ela mesma, para se transformar diante das demandas da sociedade colonial escravista. “Em suma, a cultura africana deixa de ser a cultura comunitária de uma sociedade global, para se tornar a cultura exclusiva de uma classe social de um único grupo da sociedade (colonial), a de um grupo economicamente explorado e subordinado. socialmente”. Esta solidariedade na desgraça comum foi o fermento essencial da elaboração de um mesmo clima cultural, mais que uma religião, destinado a satisfazer as exigências de todo o vodu.

As fontes históricas do Vodou: Daomé

O vodu haitiano é produto de um duplo sincretismo: o primeiro foi realizado entre diferentes culturas africanas; a segunda ocorreu entre essas diferentes culturas africanas e a cultura ocidental.

A harmonização dos diferentes sistemas religiosos africanos só foi possível, só pôde ser realizada com uma flexibilidade tão espantosa porque as tribos da África Ocidental presentes em Saint-Domingue, iniciadoras do Vodou, tinham uma prática muito antiga deste tipo de abordagem.


A Costa dos Escravos, que por muito tempo forneceu mão de obra a Santo Domingo, era uma região com uma “história quente”: a memória dos grupos culturais que formaram o reino do Daomé é assombrada por guerras, conquistas e migrações. Esse movimento contínuo de populações transformou-o em um caldeirão muito antes da chegada dos traficantes de escravos europeus. Isso apenas acrescentou mais motivação à guerra de conquista iniciada pelos reis do Daomé no século XVI. A religião sempre desempenhou um papel integrador ao longo da história: foi acolhendo os deuses vencidos que os reis do Daomé integraram os seus seguidores: também as populações do Daomé estavam habituadas a ver o rei "comprar" as divindades que serviam a sua política ou os interesses de seu reino.

Para esclarecer esse processo de agregação, o método mais simples foi o sugerido por Le Hérissé: seguindo a migração dos Aladahonou, ancestrais dos reis do Daomé, um pequeno grupo de divisores de Aja que, pela força das armas, construíram o de os reinos mais poderosos da África. "Nós o vemos primeiro, horda proscrita, instalando-se no meio de tribos estrangeiras, ali criando alianças, depois, abrigado delas e pela força e astúcia, espalhando-se como uma mancha de óleo, em torno do ponto onde encalhou. Logo, tendo absorvido seus vizinhos, ele vai além de suas fronteiras naturais, funda um império..."

Esta fração da tribo Aja abandonou Tado (Sado) a sua cidade natal na sequência de uma desavença. Dizem que os dissidentes ficaram tão zangados que não queriam mais ter nada em comum com aqueles de quem estavam saindo. Eles então criaram seu próprio vodoun, um vodoun que simbolizaria tanto seu êxodo quanto um novo culto ancestral. Assim nasceu Ayizan: "para marcar o dia de nossa partida rumo ao desconhecido, instituímos Ayizâ, e a adoramos de agora em diante

Foi também nessa época que a figura de Agassou assumiu toda a sua importância. Segundo a lenda, um monstro meio homem meio fulvo nasceu do amor de uma mulher da tribo Adjas e uma pantera, que teve um filho cuja linhagem adorava a fabulosa pantera, sob o nome de Agassou - linhagem que tentou suplantar o povo do Sado no comando da tribo. Descoberta a conspiração, teve de fugir, após uma luta durante a qual pereceu o rei do Sado.

A partir de então, no exílio, ela não mais cultuava seu Ako Vodoun e apenas reconhecia seu hënnou vodoun (hënnou: clã), Agassou, “milagroso fundador de seu ramo familiar. Chegaram a Allada, ali se estabeleceram e ali se desenvolveram a ponto de suplantar as populações nativas e tomar o nome de Agassouvi Allada Sadonou.

Passaram-se várias gerações, uma nova disputa de sucessão dividiu os filhos de Agassou: um ramo partiu para Porto Novo onde deu à luz uma poderosa realeza, outro partiu para o planalto de Abomey e deu-se o nome de Aladahonou. A lenda diz que ela confiou a realeza de Allada a um parente. Os reis de Abomey considerarão Allada no futuro como seu berço, seu lugar de origem.

Os Aladahonou instalaram-se em OuaOué, onde o culto de Agassou ganhou uma nova dimensão: foi imposto à população indígena e em troca os filhos de Agassou adotaram o vodun de OuaOué ao qual a família real do Daomé sempre prestou culto público.

O primeiro grande rei dos Aladahonou, Dako, instalou-se em OuaOué (±1625). Foi ele quem inaugurou a era das grandes conquistas. Após sua chegada ao trono, a encosta leste do planalto de Abomey havia mais ou menos aceitado a tutela do Aladahonou. A unificação não aconteceu de forma muito dolorosa. Foi nessa época que Ghédé foi instalado permanentemente no panteão. Foi também provavelmente durante este período de expansão que os daomeanos conheceram Dan Aïdo Hwèdo, "a serpente arco-íris, que também é um vodun Mahi, particular da tribo de Djinou (pessoas de cima, caídas do céu).

Os reis que sucederam Dako completaram o controle de Aladahonou no planalto de Abomey. Seu sucessor Agadja (1708 1728), forte nesta fundação, abriu o caminho para a costa e conquistou o reino de Savi. Foi por ocasião dessa conquista que o culto de Dangbé, a serpente de Ouidah, entrou na religião daomeana: “Agadja, conquistador de um país onde era honrado, quis obter seu favor. Ele o comprou e o divulgou no Daomé. »

A conquista de Savi abre uma nova era para o Daomé: a dos contactos com os negreiros europeus, com o comércio de escravos e os sacrifícios humanos, destinados a reforçar a grandeza dos reis. A fisionomia da guerra mudou “além de sua luta pelo controle sobre as últimas tribos que permaneceram autônomas, seus empreendimentos não tiveram outro motivo senão o saque. »

Sob o reinado de Agadja, os daomeanos adquiriram uma família de vodu que se tornou o panteão mais popular do Daomé. “O rei enviou homens de confiança aos Dassas, a quem ele sabia, para honrar Sakpata. Eles voltaram com o conhecimento necessário para estabelecer no Daomé o culto do formidável "vodoun". »

Tegbessou, que sucedeu Agadja, introduziu dois importantes cultos em seu reino: o de Mawy Lisa e o de Hevioso. “O culto de Mawu Lisa foi levado a Abomey por Hwâjele, mãe do rei Tegbesou, para pôr fim a uma disputa sucessória. (Hwandjele, "forte como um homem" parece ter exercido através de seu papel de sacerdotisa do culto aos deuses do céu, um verdadeiro poder de fascínio sobre os súditos de seu filho. Nós a encontramos no Haiti sob o nome de Ouan Guilé, lôa de uma energia particular). Para estabelecer a autoridade de seu filho, comprometido por outro pretendente ao trono, ela foi a Ajahomé, seu país natal, buscar o casal celestial. Ela estabeleceu seu culto em Abomey e se tornou sua sacerdotisa.

Hevioso foi introduzido por Tegbessou após uma longa seca. Ele fez a chuva cair. A lenda acrescenta que, aproveitando os grandes poderes desse sacerdote, ele instalou ao mesmo tempo “o vodun Akolombe que trouxera de Djekin e que acabara de quebrar. Ele colocou Bade, também trazido de Djekin. »

A essência do panteão daomeano foi então constituída. Nos tempos que se seguiram, o culto se estruturou, as cosmogonias adquiriram coerência. Novas divindades continuaram a chegar seguindo o mesmo processo, mas são divindades menores.

Parte de um pensamento religioso comum às populações do seu território de expansão, a religião daomeana foi assim gradualmente enriquecida com novos voduns, por conquistas, por alianças régias, por compras pragmáticas. No entanto, seus conceitos-chave vêm dos povos Nagô. A sua influência, feita por sucessivas vagas de migrações, é impossível de situar no tempo, mas é capital tanto ao nível da teoria religiosa como ao nível do panteão.

Em primeiro lugar estão os vodus cuja origem nagô é conhecida da população, como Legba, o malandro divino, que é sem dúvida o personagem sobrenatural mais próximo do cotidiano dos daomeanos, ou Ogoun, cujos daomeanos tornaram GU, um personagem muito abstrato, caráter divino não antropomórfico. Depois, há o vodu Nago que chegou ao Daomé por meio de outras retransmissões étnicas: assim, como vimos, Sakpata. Quanto a Mawu e Lisa, Pierre Verger afirma que elas “têm o mesmo papel entre os Fon que Osala e Ye Mowo, cujos nomes distorcidos carregam”.

O processo pelo qual o vodu haitiano foi formado e reestruturado para se adaptar à sua nova situação é, de fato, a extensão lógica desse dinamismo religioso que criou o império do Daomé e o transformou, a partir de um mosaico étnico muito variado, em um todo cultural unificado.

Veremos mais tarde que o Vodou foi formado de acordo com leis rigorosas; nada se deve ao acaso na elaboração deste instrumento complicado e perfeitamente eficaz, nem a escolha dos deuses, nem a dos conceitos. O seu dinamismo e a sua flexibilidade não são aspectos acidentais cujos efeitos teriam sido limitados no tempo, no momento da criação de uma religião que se teria congelado posteriormente. Ao contrário, são traços estruturais, pois o vodu não é uma coisa morta, ele continua vivendo sua própria vida e se transformando para melhor atender às demandas vitais do povo haitiano. A tragédia da vida do camponês dos morros e do citadino das favelas se expressa no caráter angustiante dessa criação contínua:


O Panteão Daomeano.

Vimos como o reino do Daomé, ao se formar, anexou o vodu dos povos conquistados. Os reis e o clero de Abomey se esforçaram para centralizar esses elementos díspares em uma nova síntese. Certamente permaneceram variações locais, cada vodu permanecendo preponderante em seu país de origem, mas pode-se falar do culto a esses grandes deuses como uma tentativa de uma "religião de estado" em oposição aos aspectos estritamente familiares ou mesmo individuais da religião daomeana. .

A classificação proposta por Herskovits tem a vantagem de ser simples, clara e coerente. Além disso, apresenta uma analogia estrutural com o vodu haitiano que não nos pareceu fortuito. Segundo esta classificação, os cultos públicos dividem-se em três grandes panteões independentes mas que procuram constantemente pontos de contacto: em primeiro lugar, o Panteão dos deuses do céu, depois o dos deuses da terra e por último o dos os deuses do trovão que controlam o trovão e o mar.



O Panteão Celestial.

O culto aos deuses do céu é o que no Daomé reúne o menor número de adeptos. No entanto, ocupa o primeiro escalão da hierarquia religiosa, seu ritual é o mais sofisticado e parece particularmente esotérico. Foi instituído oficialmente pela mãe do rei Tegbesou (1728 1775). Seu caso com a família real deu a ele, e somente a ele, o direito a sacrifícios humanos.

À frente do panteão celeste está uma divindade com personalidade mal definida: Mawu Lisa, considerada pelo povo ora como um personagem andrógino, ora como dois indivíduos distintos. Para os sacerdotes, não há ambiguidade: o mundo foi criado não por Mawu Lisa, mas por um deus hermafrodita, Nana Buluku.
Mawu e Lisa são gêmeos nascidos desse personagem andrógino que engravida. O comando do mundo é confiado aos gêmeos.
Mawu, a mulher, tem a noite como seu domínio, ela governa a lua. O povo a prefere ao marido irmão porque, mais velha, ela também é mais tolerante, mais sábia, mais meiga. A noite que é o seu reino é a hora do descanso, do frescor, da reconciliação.
Lisa, o homem, tem o dia para o reino. Seu elemento é o sol. Animado, áspero está associado ao esforço, pois o dia é a hora do trabalho. Lisa teve, no início da permanência do Homem na Terra, a realizar em associação com Cu, uma obra civilizadora: ensinaram-lhe a agricultura e o sistema de clãs e linhagens.
A maioria dos daomeanos conhece apenas Mawu Lisa. Nana Buluku é uma divindade muito velha para ter um impacto na vida diária. No entanto, em Dume (noroeste de Abomey), ela tem um pequeno santuário particularmente sagrado, não se pode entrar sem pertencer à altíssima hierarquia religiosa, a única no Daomé dedicada a ela.
O segundo personagem do panteão celestial é Gu, deus do ferro e dos ferreiros. Gu é um civilizador, foi ele quem tornou a terra habitável para os homens e sua obra nunca terá fim. Ele se tornou no Daomé moderno, o protetor de motoristas e mecânicos. É o Vodun do progresso, o símbolo da inteligência ativa do homem. Símbolo, porque Gu no Daomé, não é um ser antropomórfico. É uma força; não é o ferro, mas o poder que o ferro tem de cortar, de limpar, de matar. Ele tem um corpo de pedra, sua cabeça é uma espada. Civilizador e guerreiro, ele é o poder, a força de Mawu. Mawu usou Gu para organizar o universo.



O Panteão Terrestre

Para os sacerdotes de Sagpata, Mawu Lisa é uma figura de Janus. O rosto feminino é Mawu e seus olhos são a lua. Ela governa a noite. O rosto masculino é Lisa cujos olhos são o sol e cujo domínio é o dia.
Os filhos de Mawu Lisa são os principais vodouns da terra - o casal celestial é assim considerado o progenitor do vodoun terrestre. Seus filhos mais velhos, Dada Zodji e Nyawé Ananu, são gêmeos de sexos diferentes. Eles representam Sagbata e estão a cargo do governo da terra. Depois vem Sô, ou Sogbo, andrógino como seu progenitor Mawu Lisa; ele permanece no céu perto dele. Segundo os sacerdotes de Sagbata, ele deu origem aos deuses do panteão do trovão (Sô=Hévioso). O Panteão do Trovão é, portanto, o júnior do Panteão da Terra. Sagbata também depende de seu irmão mais novo Sogbo, porque, se o domínio da terra for adquirido para ele, ele não poderá fazer nada sem Sogbo "seu irmãozinho no céu" que é o mestre da chuva. Esta situação é muito mal sentida pelo vodun da terra. Existe uma tensão permanente entre os dois clãs que se manifesta nos múltiplos episódios de uma grande desavença (sempre alimentada por Legba!) e "que nunca terá fim". Depois vêm os gêmeos Agbé e Naété cujo domínio é o mar (Agbé provavelmente se tornou Agoué, loa do mar no Haiti), depois Cu, Vodoun de ferro, depois Agê, o caçador, Djo, o ar, a respiração, a vida e finalmente Legba em seu papel de embaixador e intérprete. Cada deus fala uma língua incompreensível para os outros panteões. Legba é o único que conhece todos eles, além dos homens. Ele é, portanto, o "linguista dos deuses" e o enviado de Mawu. Depois vêm os gêmeos Agbé e Naété cujo domínio é o mar (Agbé provavelmente se tornou Agoué, loa do mar no Haiti), depois Cu, Vodoun de ferro, depois Agê, o caçador, Djo, o ar, a respiração, a vida e finalmente Legba em seu papel de embaixador e intérprete. Cada deus fala uma língua incompreensível para os outros panteões. Legba é o único que conhece todos eles, além dos homens. Ele é, portanto, o "linguista dos deuses" e o enviado de Mawu. Depois vêm os gêmeos Agbé e Naété cujo domínio é o mar (Agbé provavelmente se tornou Agoué, loa do mar no Haiti), depois Cu, Vodoun de ferro, depois Agê, o caçador, Djo, o ar, a respiração, a vida e finalmente Legba em seu papel de embaixador e intérprete. Cada deus fala uma língua incompreensível para os outros panteões. Legba é o único que conhece todos eles, além dos homens. Ele é, portanto, o "linguista dos deuses" e o enviado de Mawu.



O Salão do Trovão

O nome genérico deste panteão é Hevioso. Como Sakpata, Hevioso designa uma família de deuses e não se refere a nenhum personagem individual. No Daomé, Hevioso é formado pelo encontro de 2 grupos vodu com características muito diferentes: um primeiro grupo cuja vocação de justiça é exercida pelo raio, e um segundo grupo ligado ao mar, fonte de todas as águas, porque d'ela vem o chuva. Os padres de Hevioso estão tentando trazer alguma consistência a esta estranha situação. Pelo artifício de um raciocínio analógico, eles reconduzem sua cosmogonia a um modelo modelado nos prestigiados teólogos do panteão celeste, situando-se assim cautelosamente em terreno familiar. Daí o seguinte mito: “Existe um deus que comanda tudo: Mawu que criou o mundo. Também é chamado por outros nomes. Entre os servos de Hevioso, seu nome é Sogbo. Portanto, Sogbo é o maior dos deuses. Seu filho Agbé (que é comparado a Lisa. Uma tradição também apresenta Lisa não mais como o marido-irmão de Mawu, mas como seu filho) exerce controle sobre o que acontece no mundo sensorial. Sogbo atribuiu a Agbé o mar como sua residência. Sogbo não se preocupa mais com os assuntos do mundo que criou; este mundo de homens e animais é irrisório demais. Seu domínio é o vasto reino dos céus. Os sacerdotes de Mawu Lisa rejeitam categoricamente esta versão de suas teorias. Ainda "uma briga que não terá fim"... Uma tradição também apresenta Lisa não mais como o marido-irmão de Mawu, mas como seu filho) exerce controle sobre o que acontece no mundo sensorial. Sogbo atribuiu a Agbé o mar como sua residência. Sogbo não se preocupa mais com os assuntos do mundo que criou; este mundo de homens e animais é irrisório demais. Seu domínio é o vasto reino dos céus. Os sacerdotes de Mawu Lisa rejeitam categoricamente esta versão de suas teorias. Ainda "uma briga que não terá fim"... Uma tradição também apresenta Lisa não mais como o marido-irmão de Mawu, mas como seu filho) exerce controle sobre o que acontece no mundo sensorial. Sogbo atribuiu a Agbé o mar como sua residência. Sogbo não se preocupa mais com os assuntos do mundo que criou; este mundo de homens e animais é irrisório demais. Seu domínio é o vasto reino dos céus. Os sacerdotes de Mawu Lisa rejeitam categoricamente esta versão de suas teorias. Ainda "uma briga que não terá fim"...


Sogbo, Agbê e Badé, a mais formidável voz do trovão, o feiticeiro do mal, chegaram ao Haiti. No Daomé, Badé comanda Aïdo Wédo para criar a serpente arco-íris que carrega raios assassinos para a terra.

Veremos no Haiti um fenômeno estranho: os panteões, como uma família de deuses dominando os elementos naturais, estão desaparecendo. Cada deus transplantado para Santo Domingo mantém suas atribuições, mas individualmente. No entanto, o número 3, figura que domina todo o esoterismo daomeano, domina também o espaço religioso haitiano; haverá assim 3 panteões no vodu haitiano, mas que levam os nomes das 3 principais classes étnicas da colónia: o panteão Rada para os deuses daomeanos e iorouba, o panteão Congo onde a influência dos Bantu é mais clara e o panteão Petro , de elaboração crioula. Todos os elementos legados por outros povos serão integrados nessas grandes categorias.

Uma religião monoteísta?

A literatura etnológica que precedeu Herkovits (Bosman, Skertchly Burton) relata a crença dos daomeanos em um deus criador onipotente que, uma vez concluída sua obra, teria se retirado, entregando o mundo a divindades subordinadas. Daí até a afirmação segundo a qual a religião daomeana seria monoteísta, houve apenas um passo que os missionários e os etnólogos católicos cruzaram.

No entanto, a distância é grande entre Mawu e o Deus eterno dos judeus cristãos. Mawu é uma criatura; antes dela existir um ser que a criou. O único passo explícito formulado pelo pensamento mitológico antes de Mawu é Nana Buluku. A recusa em aceitar uma origem primária para toda a existência, característica do pensamento religioso daomeano, leva os teólogos a afirmar que Nana Buluku é ela mesma o produto de uma criação e que houve uma multidão de Mawu.

No entanto, é legítimo perguntar se sua concepção hierárquica do mundo não leva o daomeano a considerar um personagem divino que, pela extensão de seus poderes e pela absoluta necessidade de sua presença como condição de ordem, relega as demais divindades à categoria de inferiores. Inferioridade que tenderia a deixar-lhes apenas certos poderes limitados e especializados, e que excluiria neles a essência divina transcendente, ficando esta prerrogativa de Mawu. Assim seria mais fácil compreender que no Haiti a identificação de Mawu com o "Bom Deus" dos cristãos se deu sem grandes dificuldades.



Cultos Pessoais.

Na religião daomeana, existem voduns que, sem pertencer a um panteão específico, estão presentes em todos os rituais. Estas são divindades personalizadas como Legba ou princípios mais abstratos como Dan ou Fa. O que cria uma relação entre esses diferentes vodouns é sua riqueza filosófica e a natureza essencial das noções da cosmologia daomeana. Cada chefe de família deve assumir as obrigações da linhagem para com essas divindades, razão pela qual Herskovits as classifica sob a rubrica “Cultos pessoais”.



1- Dan

Dan é um princípio divino complexo cujos avatares são múltiplos. Primeira característica óbvia, está associada à cobra, mas é mais que uma cobra, é a qualidade do que é vivo, expressa por todas as coisas flexíveis, sinuosas, úmidas, por tudo que rasteja, se curva, se desdobra, não tem pernas : o arco-íris, a fumaça, o cordão umbilical, as raízes, os nervos, o sexo do homem são coisas Dan. Dan é a vida, Mawu o pensamento: “Os nervos do meu corpo são Dan. Dan é a qualidade que faz de mim um homem. »

Dan representa a aleatoriedade da vida, a memória em sua natureza flutuante, evasiva e permanente. Suas principais manifestações são o Aïdo wèdo e o Dambada Wèdo.

Encontramos Aïdo wèdo na adoração dos grandes deuses. Ele é antes de tudo esse personagem-síntese que expressa a negação do começo absoluto, a ideia de uma sucessão infinita de mundos e criadores cuja memória o homem perdeu, mas a quem ele deve honrar com o maior cuidado. Símbolo da memória dos fiéis, mas também marca da fragilidade dessa memória.


Dambada wèdo desempenha o mesmo papel no culto aos ancestrais: ele é a memória do clã, a encarnação de pais poderosos, mas velhos demais para ainda viverem individualmente na memória de seus descendentes. Graças ao Dambada wèdo, o clã pode adorá-los coletivamente.

Dan é continuidade, muitas vezes é representado como uma cobra mordendo o próprio rabo: a continuidade do tempo religioso, do tempo biológico (o esperma é a água de Dan, o cordão umbilical é Dan), da presença material do clã porque dá dinheiro e prestígio (Dan é um criador de metais).

Compreenderemos, assim, o grande apego daqueles que vão ser exilados para longe da sua terra, por estas divindades de arquivo, verdadeiros pilares da estrutura geral do espaço religioso, expressão privilegiada do passado, da tradição, ainda que tenha escapado ao escrutínio .consciência.

Dan ainda é a fortuna em seus aspectos aleatórios e caprichosos, e esse aspecto de sua personalidade ainda nos remete a A:ido Wèdo, o mais antigo de seus avatares. Aido Wèdo tem uma dupla natureza (é representado nos santuários por um par de potes): fêmea, é a serpente arco-íris que faz a ligação entre o trovão e o mar, pois carrega na boca o raio de Hévioso que é na fonte do arco-íris que o metal precioso é encontrado. Masculino, Aido-Wèdo é esta grande serpente que, enrolada na terra, a impede de se desintegrar. Ele é o repositório do poder de todos os criadores esquecidos:

Dan tem encarnações mais modestas: cada macho, chefe de família, recebe sua kpoli Dan (alma de Dan) e seu go Dan (a do cordão umbilical), após uma iniciação conduzida pelo dano, sacerdote de Dan. Depois vem o Dan que garante a fortuna da aldeia, o to-Dan, e o henu Dan que representa os ancestrais de prestígio conhecidos.

Todos esses Dan estão relacionados à luta do homem e do clã pelo dinheiro, pelo prestígio. A competição entre os diferentes Dan individuais é como a competição entre os homens para dominar um ao outro.


2- Legba e Fa 


Legba e Fa são divindades intimamente ligadas em sua relação com os homens: Fa é a Ordem, a Palavra de Mawu, o Destino do mundo e do homem, em tudo o que é inexorável; Legba é a personificação do acidente no mundo, ele é o meio para o homem escapar de seu destino, para trapacear; é a raiva dos deuses, a raiva do homem, esse impulso que tem sua sede no umbigo e que o homem deve apaziguar (Legba é o "mestre do umbigo")

Fa e Legba são companheiros mediadores entre deuses e homens: Fa é o princípio da certeza e previsão; por outro lado, Legba provoca voluntariamente disputa e desordem, ele é o princípio da incerteza. Legba leva os homens a ofender os deuses, Fa os ensina como se reconciliar. A existência de um é necessária para a existência do outro. O relacionamento deles é um exemplo vívido de dualismo equilibrado: quebrar a ordem é necessário para renovação e mudança de vida. O conflito é valorizado e visto como construtivo. Não se suprime e o equilíbrio se estabelece na dialética das oposições.

Legba é temido, ele é um "trapaceiro" que é essencial reconciliar para escapar de seus truques malignos; mas temos um carinho imenso por ele: ele é capaz tanto do melhor quanto do pior. Acima de tudo, ele frustra as armadilhas que os deuses armam para os homens. Como mensageiro e linguista dos deuses, primeiro e sempre é oferecido um sacrifício antes de se dirigir a eles: Todos os grandes conventos iniciáticos têm um Legba, um dançarino dedicado a Legba. A afeição que os dahomeanos têm por ele é cheia de simpatia indulgente porque Legba é humor, terra, sexualidade desenfreada (sexualidade desordenada porque Legba é estéril). Ele é o andarilho, aquele que não tem templo nem sacerdote. Ele é colocado fora das casas cuja entrada ele guarda, nas encruzilhadas (porque Legba, sempre sobre rodas, tem o título de "Mestre das encruzilhadas"),

Todos os daomeanos lhe prestam um culto individual que não requer nenhuma iniciação: cada chefe de família tem seu Legba (uma efígie de barro) que guarda sua casa e a quem oferece sacrifícios em caso de problemas. O vínculo que existe entre Legba e o homem é muito mais íntimo do que a relação de guardião para protegido: Legba é de certa forma parte integrante do homem, pois ele é tudo no ser humano que põe em causa a ordem social.

Por uma curiosa inversão, Legba tornou-se, no Haiti, um personagem eminentemente respeitável: perdeu sua truculência, seu caráter fundamentalmente disruptivo para transformar-se em um homem muito velho, aleijado de reumatismo, frígido, cercado pela imensa deferência de seus fiéis . Ele permaneceu, no entanto, o mensageiro dos deuses, o mestre das encruzilhadas, aquele que abre todas as barreiras, que é invocado primeiro e que inaugura as cerimônias.

Fa' não é uma força natural, é o cuidado de Deus por sua criação. Isento das paixões cegas do vodu, ele ainda se junta aos inumanos ao se recusar a se submeter aos homens: uma boa consulta não se compra”. O livro de Fa, o "sistema de escrita do criador", foi revelado ao homem por Mawu graças a Legba, para permitir que o homem se protegesse contra os caprichos do vodoun: "Mawu, diz o daomeano, tem como principal preocupação os seres vivos; a prova é que Ela revelou a eles o sistema do Fa que interpreta para os homens o que irritou os deuses e como eles podem ser apaziguados.

É muito importante para todo homem responsável, encarregado de almas, dominar seu destino. A iniciação ao culto do Fa, liderada pelo bokono (adivinho, sacerdote do Fa), assegura a toda a sua família e a si mesmo uma vida harmoniosa. Mas somente o chefe da família terá direito a uma quarta alma, o educado Sek, e “aquela alma que permanece no céu para zelar pelas inúmeras cabaças que encerram seu futuro. »

O modo de adivinhação mais seguido antes da importação do Fa era Bo: “Bo era um deus, mas ninguém pode dizer exatamente de onde ele veio, ou quando. É considerado muito antigo, mesmo antes da chegada dos Aja ao planalto de Abomey e sua memória foi mantida em certas localidades onde os homens o veneram. »

Mas o rei (Agadja) "que odiava este Gbo porque permitia muitas alianças contra ele, estava procurando algo que fosse realmente coisa dos deuses" para substituí-lo. Ele encontrou Fa, levado a Abomey por comerciantes iorubás, e começou a estabelecer seu culto entre o povo. O rei teve de vencer sérias resistências para abolir os velhos hábitos, e foi certamente para acelerar o processo que vendeu todos os especialistas de Bo aos traficantes de escravos — que acabaram no Haiti.

Essas práticas antiquíssimas, que quase desapareceram no Daomé, estão extraordinariamente vivas no Haiti. O tráfico simplesmente os desenraizou de sua terra de origem e os transplantou intactos para o Haiti. O "Rélé loa nâ govi" (chamando o loa em uma jarra) ou o "Rélé mô nâ dlo" (chamando os mortos na água) constituem um modo de adivinhação extremamente comum no Haiti. E é a reprodução exata da adivinhação Bo Assim, entra-se em contato não apenas com os pais falecidos, como no Daomé, mas também com os próprios deuses que profetizam e dão conselhos.



África Central


Vamos agora examinar a segunda fonte histórica do Vodou: a África Bantu.
Uma coisa parece certa: os bantu não modificaram a estrutura religiosa daomeana: eles a adotaram, enriquecendo-a com novos elementos e às vezes reinterpretando-a de acordo com sua própria cultura. Dois factores contribuíram para esta assimilação do Kongo ao Arada.

O que se poderia chamar de “esnobismo da crioulização”, fenômeno observado em todas as colônias alimentadas pelo tráfico de escravos: um novo personagem foi criado nas fazendas, o crioulo, ou seja, o híbrido cultural. Um grupo fechado foi constituído com suas leis estritas, sua etiqueta, sua moral, suas sanções. Os recém-chegados não se enquadravam no grupo de boas-vindas em pé de igualdade; os mais velhos zombavam deles, chamavam-nos de “bossales” (bárbaros!). Para ter acesso a este mundo onde terão de viver doravante, os novos escravos tiveram que se conformar com os valores que ali prevaleciam. Os colonos, por exemplo, apontam o batismo como o primeiro rito de passagem obrigatório: "Como os negros crioulos reivindicam, pelo batismo que receberam, uma grande superioridade sobre todos os negros vindos da África, e que são designados pelo nome de Bossais, os africanos que são apostrofados por chamá-los de cavalos estão muito ansiosos para serem batizados. O acesso às cerimônias vodu foi gradualmente concedido. Muitas vezes os Kongo que desembarcavam nas colónias já tinham sido baptizados, em série, nas costas do Zaire, pelo que a sua crioulização se fazia unicamente através da religião Arada.

Os únicos ritos coletivos encontrados entre os Bakongo são ritos ligados ao grupo do clã. Não há vida religiosa possível fora do clã. Divididos os clãs, era preciso encontrar uma nova estrutura que permitisse restabelecer o vínculo com o além: existia na colônia um quadro coletivo de vida religiosa, cuja via de acesso não era mais o nascimento, mas a iniciação, a religião daomeana . O esplendor das cerimónias, a sua grande teatralidade, a personalidade dos grandes deuses, o privilégio do transe completavam sem dúvida o fascínio destes homens e mulheres que tinham um vazio cultural crucial a preencher.

A concepção da alma entre os Bakongo.

Encontramos entre os Bakongo uma concepção pluralista de personalidade. Essa crença contribuirá para uma fusão das duas concepções de homem daomeano e homem do Congo no vodu haitiano. Para os Bakongo, de fato, o homem “compõe-se de quatro elementos: o corpo (nitu), o sangue (menga) que contém a alma (Moyo) e o Mfumu Kutu, uma espécie de alma dupla. Vindo conferir ao ser humano a sua personalidade perfeita, o nome (zina) constitui o homem “completo”.

É graças à alma Moyo, diz-nos Van Wing, “que o homem vive a sua vida. “Esta alma resiste vitoriosamente à morte e retira Ku masa, para a água, que os Bakongo designam de forma muito característica: Ku bazingila, ou seja “Onde se vive.” a água é o mundo dos antepassados. “Na sua aldeia, os ancestrais têm suas casas, seus campos, eles têm muita riqueza, tecidos, dinheiro, caça, vinho de palma... Essa aldeia fica Ku masa, na água, do lado da mata, porque a mata fica perto dos rios.”

Há, portanto, um ponto comum entre a concepção daomeana de alma e morte e a dos Bakongo: uma alma na morte do homem entra em contato com a água. Esse contato é transitório entre os daomeanos: a água é um elemento de passagem, um lugar onde as almas são recolhidas para divinizá-las. Entre os Bakongo, a água é a residência permanente dos Moyo após a morte. A água, portanto, desempenhará um papel fundamental no mundo funerário no Haiti. Se a morte do praticante de vodu haitiano se enquadra muito claramente no contexto daomeano, uma variação bastante importante no itinerário post mortem da alma atesta a influência do Bakongo: a alma que será recuperada para ser deificada, vai diretamente sob a água onde ficará enquanto espera ser "levantada". Essa modificação certamente se deve à reviravolta da geografia religiosa;

A outra alma que Van Wing chama de “alma senciente”, “princípio da percepção sensível, o Mfumu Kutu, está sentado no ouvido; ela é "o Senhor da Orelha". Mas os Bakongo dizem que é "coisa de Nzambi", que vem de Deus. Esta alma apresenta uma das características da alma daomeana que vem de Mawu.

A semelhança não para por aí: quando o Mfumu Kutu “entra na criança, vem de longe; quando ele deixa o cadáver, ele vai embora, Ku Katalukidi. Em outras palavras, vem de Deus e volta para Deus. Não terá mais contato com os vivos após a morte de seu dono: “Quando Mfumu Kutu se for definitivamente, não haverá mais dúvidas sobre isso. »

Os elementos centrais, os únicos claramente expressos, da concepção da alma no Haiti, serão precisamente aqueles que coincidem nas filosofias dos dois principais grupos culturais presentes em Santo Domingo: os daomeanos e os congoleses. Estes dois pontos adquiridos, os únicos que alcançam um acordo unânime, a filosofia Vodu cai em confusão quando tem que decidir sobre a natureza, o papel, a vocação das almas do homem.

O caráter iniciático do culto daomeano, assim como a prática do transe, moldaram profundamente a concepção geral do homem entre os haitianos contemporâneos. Assim, a cabeça é a sede privilegiada da vida espiritual (não o sangue, nem tampouco o coração, “centro vital de todo sangue”, como entre os Bakongo) pois é nela que o Espírito se instalará durante a possessão é o que a iniciação deve tornar "habitável" para o deus.

A personalidade do praticante de vodu permanecerá uma entidade "aberta", pois a qualquer momento o indivíduo pode ser escolhido pelo deus para ser iniciado, ou seja, para ser manipulado por forças sagradas, até as profundezas de si mesmo, e tornar-se " cavalo do deus". A alma está a qualquer momento suscetível de ser transformada pelo adorcismo, libertada pelo exorcismo.

Dito isto, dentro desta estrutura resolutamente herdada da África Ocidental, vemos perturbadoras analogias entre a ideia que o vodu haitiano tem da vida de uma das suas almas, e aquela que os Bakongo da actividade de Kfumu Kutu: “À noite, (o Mfurnu Kutu) vagueia pelo campo, então o sono toma conta do homem; durante o dia, se ele se ausenta, o homem cai inconsciente... Se pela manhã alguém tem dificuldade em acordar alguém, é porque seu Mfumu Kutu não foi muito longe... Quando o Mfumu Kutu se foi, sua atividade não desacelera mas é diferente; ele caminha por toda parte, encontra o que se encontra na noite escura... Tudo isso, o homem adormecido às vezes percebe: é o sonho.

O "Gros Bon Ange", uma das almas do voduista haitiano, está "intimamente associado ao corpo que ele deixa apenas durante o sono para ir vagando ao longe. O que ele vê e as aventuras que lhe acontecem durante suas caminhadas noturnas forma a matéria de nossos sonhos. Quando pela manhã o "Grande Anjo Bom" não retorna ao seu invólucro corpóreo, a pessoa que o perdeu cai em profunda letargia."

Congo no Haiti

A influência da cultura Kongo na mentalidade geral do haitiano contemporâneo é muito sutil e muito menos aparente em uma primeira análise do que a exercida pelos povos da África Ocidental. De fato, o que caracteriza a realidade sincrética específica do Haiti é que uma religião de inspiração "sudanesa" é vivida por uma população majoritariamente de origem bantu.

Essa curiosa situação resulta em dois conjuntos de fatos. A vida profana do camponês haitiano é em muitos aspectos profundamente marcada pelos bantu: por exemplo, toda a imaginação não religiosa é expressa na tradição bantu; uma multidão de “contos” e enigmas profanos são traduções ou transposições fiéis das lendas e enigmas do Congo. Quanto à vida religiosa, originalmente dominada por dirigentes da África Ocidental, são muitos os vestígios de reinterpretações ao nível da cultura bantu (lugar de certos deuses ancestrais, papel da magia, etc.) na estrutura daomeana.

Assim, o Daomeano Mawu, o Bantu Nzambi e o Deus Católico dão uma fisionomia própria ao “Grão-Mestre”, Deus supremo dos vodus: ele é a fonte de toda a vida; na morte de suas criaturas humanas, ele recupera uma de suas almas; ele está acima dos espíritos a quem a adoração é dirigida (nenhuma adoração é dada a ele). Como Nzambi, ele é o legislador das regras morais, pune os homens quando as transgridem durante a vida, mas nunca recompensa.

O culto ancestral bantu desapareceu com a dissolução dos grupos de parentesco. O que resta da religião familiar no Haiti é decididamente daomeano (presença de ancestrais em jarros de transe), mas os Bakongo influenciaram esse novo culto aos ancestrais: como entre os bantu, é o chefe da família que oficia e não mais um sacerdote especializado como no Daomé.

Muitas características do ritual vodu são tipicamente Kongo: por exemplo, o uso de pó que não é encontrado no Daomé, mas que é praticado no Haiti nas cerimônias chamadas de "rito Congo" ou "rito Petro" (o rito Petro é um rito crioulo com forte inspiração Kongo); a forma dos tambores usados ​​durante as cerimônias do Congo ou do Petro; muitos passos de dança.

Mas o campo onde a influência bantu foi exercida com mais força continua sendo mágico. A magia bantu foi expressa dentro e fora da estrutura religiosa daomeana. A religião assumiu a magia positiva, benéfica (essencialmente curativa), deixando a magia ofensiva (anti-social) e as práticas protetoras em geral para especialistas não religiosos e “sacerdotes malditos”.

Magia Bantu em Vodou.

Os Bakongo trouxeram para o vodu uma importante categoria de espíritos: os espíritos da água, os Bisimbi. Na África Central esses espíritos aquáticos dominam um importante setor da magia e entram na composição de muitos nkisi.

Entre os Bakongo, as relações com os espíritos bisimbi são relações individuais estabelecidas em segredo. No Haiti, integrados ao culto coletivo, esses espíritos constituem uma importante família que se manifesta como os deuses daomeanos através do transe, que tem seus iniciados. No entanto, guardam as mesmas características do bisimbi Kongo: são espíritos da água doce, das nascentes e dos rios. "O santuário dos deuses Simbi é provido de pequenos altares nos quais se notam cromos de santos e Magos" (Os três Reis Magos são assimilados a três reis do Kongo cuja memória é preservada na mitologia haitiana), uma lamparina de óleo de oliva, “govi” (jarros) que são usados ​​para invocá-los. Como os Simbi são deuses da cura, "pacotes" chamados de "pacotes Simbi" também são colocados em suas mesas de altar. Esses "pacotes Simbi" são a réplica exata do Kongo nkisi. Os "pacotes" são talismãs terapêuticos que contêm materiais vegetais e minerais: incenso, pólvora, cascas, caules, alimentos, folhas secas (incluindo a folha chamada "três palavras" allophys occidentalis essencial para qualquer cura porque sem ela não podemos obter a proteção de o Pai, o Filho e o Espírito Santo), tudo pulverizado e misturado com uma pasta retirada dos animais sacrificados. Os “pacotes” são preparados durante uma cerimônia em homenagem a um loa de cura. Na época da lua nova, eles são amarrados e envoltos em cetim ou seda nas cores consagradas aos deuses em questão. Depois são perfumadas e colocadas em pratos de faiança branca ou numa espécie de cabaça de terracota.

Como os Simbi são loa aquáticos, sempre é colocada uma bacia cheia de água em seu humfo (templo). Papai Simbi, o chefe da família, adora frescor e até pesquisa.

Os "pacotes" não são prerrogativa apenas dos Simbi, eles geralmente são encontrados em todos os santuários de inspiração Bantu, rito Congo e Petro rito, onde há muitos curandeiros: "Notamos nos santuários Congo chromos representando a Adoração do Magos, os acessórios do culto do Congo e os "pacotes do Congo" que simbolizam os reis do Congo. Esses fardos são geralmente bonecos de pano recheados com folhas, gramíneas e raízes pulverizadas e perfumadas. "Os houmfô do loa Pétro são providos de pequenos altares nos quais costumam ser vistos estes objetos: bolas de índigo, asson ou chocalho ritual, "pacotes" (talismãs terapêuticos), govi (jarros) vestidos de cetim ou seda em cores sagradas ao petro divindades

Os “pacotes” são a sobrevivência de uma forma de nkisi: aqueles que intervêm na terapia. Além disso, no Haiti e vemos aí uma contribuição bantu, a doença está inserida no contexto religioso, pois em muitos casos só o padre pode curar a doença. Esta é uma noção totalmente ausente no Daomé.

A magia bantu fora do quadro religioso no Haiti.

Fora da religião vodu, os feitiços são usados ​​de duas maneiras: proteção e ataque (enquanto dentro da religião são considerados de uma perspectiva puramente curativa. A cura às vezes leva ao ataque de um indivíduo culpado de uma falta contra os deuses, mas a finalidade da ação mágica para curar permanece clara). A "magia secular" em geral é referida pela palavra "wanga". Para a confecção de muitos wanga o mago usa um pouco de terra retirada de um cemitério como seu colega Kongo usa para sua argila nkisi “retirada do fundo de um rio, uma lagoa, morada dos espíritos dos mortos. »

Wanga muitas vezes designa um poderoso talismã que protege um indivíduo, um campo ou uma casa. A expressão "executar o wanga" geralmente se refere a uma ação bastante perturbadora. De fato, este setor da magia é frequentado por todos aqueles que, por desejo de poder ou vingança ilícita, querem causar dano a outrem (todas essas ações essencialmente más não podem ser exercidas no âmbito da religião).

Outra contribuição Bantu ao Vodou: posse infeliz.

No Daomé, a posse é a base da religião. Por ela, homens e deuses entram em contato, é um comportamento adquirido à custa de uma longa iniciação, fixada por uma série de ritos mágicos, desejados como benefício pelo indivíduo e pelo grupo. Essa possessão puramente religiosa e benéfica é, por excelência, a que domina o ritual haitiano; somente ela deve se manifestar dentro da estrutura das grandes cerimônias públicas.

Mas à sombra da "casa dos mistérios", o padre deve frequentemente "tratar" pacientes que os deuses atacaram com doenças. Essa irrupção violenta do sagrado no corpo do homem não vem da filosofia daomeana, é uma contribuição do "Congo". O conceito de doença bantu transposto para o seio da religião faz nascer uma nova ideologia de contactos entre o mundo espiritual e o humano: a da possessão infeliz, sentida como uma agressão.

Numa primeira modalidade desta posse, a estratégia dos deuses é muito diversificada; as doenças que impõem vão desde a paralisia de um ou mais membros, passando por várias dores, vômitos, abortos, até múltiplos distúrbios nervosos. No contexto do Vodu, é de fato possessão, se dermos a este termo seu significado mais amplo. A filiação entre esta vertente do vodu haitiano e o mundo bantu é atestada pela técnica curativa utilizada: o sacerdote, mago benéfico, opera essencialmente por meio de "pacotes" cuja origem é conhecida. A ideologia bantu entretanto sofre transformações radicais neste novo contexto, abandona o campo do combate entre o bom e o mau mago para penetrar no da religião. Entre os bantos, o conflito ocorre entre dois homens: o mago "benéfico" e o feiticeiro, ambos mestres de fetiches. A doença e a cura são dois momentos cruciais na luta entre o mal e as forças benéficas que atuam na sociedade.

No vodu, a doença é uma epifania, a marca tangível de um contato, sem intermediários, entre o deus e o homem que o deus quer punir ou manifestar sua vontade. A doença é curada dentro do templo e o padre (que opera o resfriado) é apenas o instrumento do Espírito curador (quase sempre de origem "congo", reinterpretado em termos daomeanos). Como resultado, a terapia não é mais uma questão de simples magia, mas de uma “ideologia médico-religiosa”. »

Entre os bantu, o modo privilegiado de contato com os espíritos (agressores ou curadores) é o fetiche, objeto onde se cristaliza a relação de mestre para servo entre o homem e o espírito. No Haiti, o mal, arbitrário ou justificado, desce sobre o homem de acordo com a boa vontade dos deuses e só eles decidem o resultado da luta.

Nesta primeira categoria de doenças, o sucesso da cura não conduz necessariamente à iniciação religiosa. O paciente curado permanece ligado ao santuário como “pititt leaf” (filho das folhas), mas não tem o posto de iniciado.

O segundo modo de possessão infeliz também é encontrado, mas como uma manifestação marginal do contato Homem-Espírito entre os Bantu. (No Haiti, esta é uma forma bastante comum de interpretação religiosa da doença).

Entre os Bakongo, os espíritos nkita às vezes atacam os humanos diretamente, especialmente as mulheres. Eles causam uma doença específica que os autores descrevem como uma possessão. Os próprios sintomas da doença revelam a identidade do espírito agressor: o espírito “imediatamente revela-se na linguagem gestual da possessão”. Dependendo da forma assumida pelo transe, realizar-se-á então um ritual de exorcismo visando a libertação do paciente e o estabelecimento de contactos institucionalizados entre ele e o espírito: tratar-se-á de "transferir o espírito patogénico, acolhido com o necessárias precauções de reverência, em outro local onde futuramente se estabelecerão relações mágico-religiosas normalizadas entre ele e o paciente, ambos curados do estado mórbido de possessão e iniciados em seu culto, um culto que não difere em nada das práticas mágicas usadas por outros Nkita. »

Colocamos na mesma perspectiva as doenças que, no Haiti, levam à iniciação do indivíduo afetado: são então formas etiológicas que informam por si mesmas sobre a identidade do deus e sobre o motivo de sua presença. de sua vítima. “Cada loa tem sua própria maneira de atacar. » Por exemplo, quando o Zandô está no corpo de uma pessoa, esta é tomada por convulsões características, tem queimaduras no estômago e emite gritos particulares. O tratamento, longo e difícil, termina com um sacrifício: uma cabra é oferecida a Zandô. Não se trata de um sacrifício sangrento como para os outros deuses: Zandô sai do corpo de quem estava atormentando, aloja-se no da cabra que morre de si mesma. Convém então que o liberto seja iniciado e preste um culto particular ao Zandô que virá "dançar em sua cabeça" durante as cerimônias religiosas. Cuidado com quem foge dessa obrigação, ele morrerá.

Nem todas as curas assumem a mesma forma, cada "doença sobrenatural" tem a sua própria terapia, mas a abordagem é a mesma: o exorcismo seguido do estabelecimento entre o ex-paciente e o seu agressor de relações pacíficas, regradas e preferenciais. A doença é então um modo de eleição. Por vezes, a doença refere-se mesmo directamente à necessidade de iniciação, sem prévio exorcismo: trata-se então apenas de transformar as relações violentas e infelizes em contactos harmoniosos, com intervalos regulados pelo ritual. No Haiti, a possessão de doenças, portanto, às vezes leva ao puro adorcismo (sem passar pelo exorcismo) como único meio de resolver as relações conflituosas entre o espírito e seu futuro “cavalo”."

"Lilás Desquirons
Viajantes Incríveis
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35000 RENNES
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In: https://www.etonnants-voyageurs.com/Les-origines-africaines-du-vaudou.html

(09/06/2023).

Hunfor (terreiro haitiano) - Wikipedia


segunda-feira, 5 de junho de 2023

Amo, o Queijo do Benim.

 

Conhecido pelos minas como Wangashi, pelos fons como Amo e pelos franceses como Fromage, o queijo que outrora era somente muito bem aceito e vendido nos mercados de Paraku e arredores, no Benim, foi conquistando consumidores e atingindo mercados além da África Ocidental. 

É confeccionado com o vinagre de maçã, que lhe confere um sabor muito especial. Apresenta um capeamento de tonalidade avermelhada oriunda de ervas de grãos comestíveis da região, como o sorgo, ou da beterraba, quando é produzido fora da região.

Quer tentar fazer em casa? Não há mistério, é tudo muito simples.

 

 INGREDIENTES


1 litro de leite integral
1 xícara de vinagre de maçã
1 beterraba média ou folhas de sorgo para coloração (opcional)

 


EQUIPAMENTO

Prensa de queijo; coador de nylon ou de pano

Liquidificador ou Processador

 


PROCEDIMENTO

Despeje a frio o vinagre de maçã no leite fresco. Aqueça a mistura em fogo brando e vá mexendo suavemente até que comece e termine o processo de coagulação. Coe e recolha o queijo formado.


Depois de retirar o queijo pode opcionalmente mergulhá-lo em suco de uma beterraba média, e se quiser salgá-lo, ponha sal ao seu gosto, geralmente é produzido sem sal, adicionando-se o sal na receita que você fizer com ele como ingrediente. O suco da beterraba pode ser extraído com o auxílio de um precessador ou de um liquidificador com um pouco de água filtrada. Ferva o queijo na solução vermelha por 10 ou 15 minutos, dependendo da espessura do queijo. Deixe esfriar. O seu queijo Amo está pronto!

Costuma ser consumido frito com um bom molho de pimentas por cima, mas você pode consumí-lo à sua moda.

🥧🥂🍴🥣🌼♥️

 


O Rosário Hindu de Osibata.

As sementes da Nelumbo nucifera, popularmente conhecida como Lótus, Osibata pelos nagôs, Kamal Gatta pelos Hindus são utilizadas no Brasil na confecção de rosários de cura, de pretos velhos e em determinadas receitas para uso litúrgico e medicinal, nestes dois últimos casos também têm aplicação as suas folhas. 

Alguns versos do Ifá fazem menção às folhas de Osibata e o Candomblé costuma utilizá-las nas lavagens rituais dos búzios que servem para jogo em consultas às divindades.

Com estas sementes é confeccionado no hinduísmo um rosário (Japa Mala) em quais sementes são entoados mantras sagrados da deusa Lakshmi por ocasião do ritual da Puja, daí  a referência Kamal Gatta Mala ao rosário.

Um aspecto que devemos destacar é o de que a lótus é uma linda flor, e Lakshmi também é a deusa da pureza, da beleza e do amor, essa beleza também é interior. A flor mantém-se sempre limpa e bela, resistente às correntes aquáticas e à lama, inclusive quando quando é abundante no manancial.

Sementes de Osibata



domingo, 4 de junho de 2023

Olho-de-Cabra

As sementes de Olho-de-cabra, ou Semente-do-rosário, também são utilizadas na Índia por ocasião do Lakshmi Puja, junto com os búzios amarelos e outros itens, e nos cultos afro-brasileiros estas sementes são utilizadas em assentamentos, em rosários de cura, de pretos-velhos, como o mesmo sentido, o de atrair boa saúde, cura de doenças e prosperidade. 

Devemos ter cautela com o manuseamento e acondicionamento destas sementes e dos objetivo onde estão inseridas, lavar bem as mãos depois de manuseá-las, com água e sabão, é muito importante. Qualquer descuido pode ser fatal. São trinta vezes mais tóxicas que a Ricina. Já existem casos de intoxicação e estudos sobre o efeito tóxico da semente.

Olho-de-cabra



Os Búzios da Deusa Lakshmi.

Os cauris de coloração amarela são utilizados há milhares de anos na Índia na ocasião do Lakshmi Puja, em devoção à deusa Lakshmi, portadora da boa saúde, da prosperidade e do amor, são referidos como kaudi Lakshmi (cauris de Lakshmi), possuem a sua cor, o amarelo, a cor do ouro do qual é a propiciadora.

É muito comum vermos jóias como pulseiras e braceletes de ouro maciço onde se destacam alguns cauris nas imagens das mais diversas formas de Lakshmi nós templos indianos.

Os indianos após a o ritual da puja guardam consigo os vinte e um cauris consagrados, em um saquinho de tecido fino, geralmente no quarto onde dormem, em um local alto, rogando as bençãos da deusa para aquela casa.

Textos sagrados védicos elogiam os cachos dos cabelos do Deus Shiva (irmão da deusa Lakshmi) observando que são lindos como cauris.

Os búzios que por um bom período eram o dinheiro no oeste africano, vinham do oriente, onde são abundantes no mar, especialmente na Índia, onde em algumas localidades, igualmente, já foram utilizados como moeda corrente.




sábado, 3 de junho de 2023

Tula Do L'ogbe (Fahan para aquele que não fez o bô).

I  I

I  II

I  I

I  I

"Você não fez nenhum bô
Mas você pronuncia as palavras que dão vida a ele
Kpoli Tula arruma problema...


Pra aquele que não fez o bô
Não diga as palavras dele
Tula arruma problema...

 

Chegamos, chegamos
Tula arruma problema...


Pra aquele que não fez o
Não diga as palavras que dão vida a ele
Tula causa problemas...


Hu, hu, hu
Ha, hu, hu
Hae, hae
Tula causa problemas...


Pra aquele que não fez o
Não diga as palavras dele
Tula causa constrangimento..."

 

Através deste Fahan (Farrã- cântico do Fá/Ifá/Afá) pode se ter a idéia do quanto se deve ser responsável com a determinação do Fá e sua prática, tanto pelo lado do consulente, quanto do bokonon.

Gbessá/Gbessissá são sagradas, tem a ocasião certa para serem pronunciadas.

 

Tula Do l'ogbe está sempre de olhos abertos...

Vídeo:

https://youtu.be/skQ_jgmY9e4

Foto- Wikipédia

 

sexta-feira, 2 de junho de 2023

Jagum Olofin

"O Reino Igbo Idaasha, Colinas Omon Djagou, Tradições, Vodum e Natureza!"

"Em Dassa Zoumé, antiga Igbo Idaasha, existe uma colina entre as 41 desta região, na qual o primeiro rei Djagou Olofin (1385-1425) estabeleceu sua residência no século XIV. Depois de ter chefiado os Omon Djagou da etnia iorubá migrantes da Nigéria (Oyó), fixou-se na eminência situada a sudeste da atual cidade de Dassa Zoumé (nome desde 1960).

Esta colina leva o nome de Oke Yaka (cidade da comunidade Omon Djagou) e você pode escalá-la preferencialmente com um guia, que deve explicar sua história para você. Em resumo, este rei não teria morrido enquanto seus inimigos o trancassem em uma casa. Seu filho o encontra e o alimenta com leite e fubá. Depois de um tempo, o rei desaparece e seu filho o encontra em forma humana com o corpo de uma cobra no morro. Então ele desaparece para reaparecer por seu espírito, na floresta sagrada de Dassa Zoumé, um lugar chamado Igbonla (a grande floresta).
Este cemitério real, que tem a forma de uma estrela, fica numa clareira onde se avista o buraco por onde teria desaparecido o rei transformado em cobra e onde ainda está presente o seu espírito para o Omon Djagou.

Esta lenda ainda está viva para os habitantes do Omon Djagou, pois, após sua morte, eles são transportados em procissão na colina, antes de serem enterrados na floresta sagrada.

O nosso guia Saturnin Adjile, conduz-nos pelas escadas praticadas na encosta no meio das tradicionais cabanas depois, no meio das rochas rodeadas por uma magnífica vegetação composta por palmeiras. acácias, embondeiros, sândalos, pessegueiros e tufos de flores amarelas e outras belas plantas. Nos desvios do caminho, veremos a rocha que se assemelha ao "Peixe de Pedra". Mais adiante, uma casinha, que funciona como um fetiche, traz os dois símbolos da Serpente e da Jarra da lenda "do rei que não está morto".

Desta posição, temos uma vista panorâmica de Dassa. Se continuarmos a subida ao cume, podemos ver o panorama que nos é oferecido e o interesse estratégico para o rei colocar ali o seu palácio. No topo, grandes blocos de rocha empilhados testemunham a atividade humana neste local privilegiado. Grandes e estranhas pegadas em forma de pé são visíveis no chão, como se alguma força sobrenatural as tivesse impresso. Alguns dizem que são buracos feitos para bater inhame.


Deve evitar fazer esta visita durante o dia como nós, porque faz calor e é cansativo. De manhã cedo é recomendado.
Hoje o rei Jagum Afomã ou Djagou Egbakotan II, 26º monarca da linhagem, garante a continuidade das tradições e um importante papel social em sua comunidade.
No nível semântico do povo Iorubá, originário da atual Nigéria, o nome Igbo Idaasha vem do nome da princesa (Ida na língua Yoruba), Osha que nasceu albina do rei Olofin e Igbo que significa floresta. A tribo então adotará esse nome que significa "Povo da Floresta".
O Igbo Idaasha foi transformado em Dassa Zoumé, pelos povos Fon que vieram trabalhar na região para a construção da ferrovia. Hoje muitos reivindicam o retorno ao nome original da cidade: Igbo Idaasha."

In: https://www.tripadvisor.com.br/LocationPhotoDirectLink-g482827-d23712211-i556919710-41_Collines_De_La_Cite_Des_Omondjagou-Dassa_Zoume_Collines_Department.html -  Em 02/06/2023.

 

Peixe de Pedra

Fetiche Jagum Olofin

sábado, 27 de maio de 2023

Fufu

 

Há duas formas pelas quais podemos preparar o Fufu, a mais tradicional é pilando o inhame cará (aquele grande) depois de cozido em água e descascado depois para não perder os nutrientes, então pilamos até que obtenhamos uma massa uniforme e espessa, à qual, em seguida, damos um formato arredondado.

De outra forma podemos utilizar a farinha branca de inhames com água, na proporção de duas partes de água filtrada para uma de farinha de inhames. 

Colocamos a água para ferver reservando um pouco dela em outro recipiente para o final. Adicionamos a farinha mexendo sem parar para que não forme grumos e quando terminamos de adicionar vertemos com cuidado, aos poucos e mexendo sempre, o restante da água. O Fufu está pronto, é só aguardar esfriar um pouco e formatar.

A palavra Fufu vem do iorubá fun fun que significa branco. Este prato é um tipo de amalá, só que é produzido com a farinha branca de inhames, ao passo que o Amalá  Branco é produzido com a farinha branca de mandioca. Dentro da religiosidade dos orixás ele é oferecido para obatalá (Oxalá; Lissá, Olissá do Jeje) geralmente acompanhado da Farinha de Egusi (Egussi) passada em Limo da Costa derretido. Não se usa sal.

É  um delicioso prato acompanhado da Sopa de Egussi, ou de outras.

🍴🥣🍸😋❤️🔆







Um Foco Sobre o Mascarado Gunucô, Protetor dos Arrozais.

 

"Berço do Vodoun, o Benin é rico em seu patrimônio imaterial com uma diversidade de valores culturais. Em Woussa, Porto-Novo, uma das cidades do país carregadas de história, onde os hábitos e costumes têm o seu lugar nas ruas, perpetua-se a tradição de uma máscara sagrada chamada “Gounouko”, protectora dos arrozais.

A comunidade Takpa perpetua a tradição da máscara ancestral chamada “Gounouko”. Em Porto-Novo, na localidade de Woussa, os Takpa continuam a ser os garantes deste património cultural imaterial. A máscara “Gounouko” costumava ser usada como espantalho para afastar os pássaros dos arrozais, uma cultura muito apreciada por esta comunidade. A cada saída, a máscara “Gounouko” impacta o universo cultural local.

Uma visita ao Palácio de Obinja em Porto-Novo nos deu uma visão exclusiva dos rituais significativos, a retirada das máscaras do convento. Montado no alto da varanda do andar localizado dentro do palácio dos Takpas, o “Gounouko” é cuidadosamente abaixado para um ritual sagrado diante de sua divindade antes de qualquer apresentação de dança.

Património imaterial beninense, a máscara “Gounouko” distingue-se pelos diferentes tamanhos e pela sua forma de dança giratória. A linha Takpa pretende investir mais para salvaguardar e perpetuar o “Gounouko” na cultura beninense."

In: https://africa24tv.com/benin-focus-sur-le-masque-gounouko-protecteur-historique-des-champs-de-riz/

 

Gounouko, foto de Discover Porto Novo.

 

Vídeo  


quinta-feira, 25 de maio de 2023

Fundação Afriqu'Espoir e Palácio Real de Allada.

Estimado leitor, a página da Fundação Afriqu'Espoir e do Palácio Real de Allada (Aladá) está no Facebook. Aprecie, curta e prestigie nossas raízes.

 

Lègba (Legbá) da cidade sendo homegeado pela rainha.


 .                            https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=pfbid06NJBrDsNFko6cX2X8UmxacWD7sMMmF3P7gAL58rTvhEGn7b6bTVLasxZk4gRPi2Gl&id=100064688828702

quarta-feira, 24 de maio de 2023

Alokó

Alokó (pronuncia-se alocô em português) é o nome que se dá ao prato feito com bananas-da-terra fritas no azeite de dendê.

Utilize quatro bananas-da-terra de boa qualidade e não maduras demais, descasque-as corte-as ao comprido cada uma em quatro fatias.

Em uma frigideira larga coloque cerca de 150 ml de azeite de dendê para ferver, depois disso vá mergulhando as fatias uma à uma com cuidado e vire-as de vez em quando, para que se tornem bem fritas atingindo uma coloração marrom escuro que tende a ao preto. Ingerir a banana-da-terra meio crua é muito indigesto.

Vá retirando as fatias prontas e arrumando-se em um prato. No Jeje a arrumação das fatias e a posição do corte varia conforme o Vodum que recebe o Alokó em sua oferenda. O Jeje Mahi oferece para Gbessem.

🥣🍴🌈♥️

 


 


segunda-feira, 22 de maio de 2023

São Bartolomeu de Maragogipe e o Vodum Dã.

"MATRIZ DE SÃO BARTOLOMEU – MARAGOGIPE, BAHIA"

"Essa igreja foi construída no ponto mais alto de uma pequena península situada às margens do rio Paraguaçu, ao interior da Baía de Todos os Santos. A paróquia do local existe desde 1640, e consta que a construção da atual matriz se iniciou em 1643, por iniciativa do colonizador português Bartolomeu Gato. Foi a partir dessa construção que nasceu a atual cidade de Maragogipe.

A construção da igreja levou vários anos, e a população que se formou no local não economizou esforços para embelezar o templo. Há o registro de que, no ano de 1655, ocorreu um conflito com alguns indígenas da tribo ‘tupiguaém’ (que habitavam mais ao sul), e, num momento de luta, o filho de Bartolomeu Gato foi morto com uma flechada no peito. Entretanto, como de costume, esses desentendimentos tinham curta duração, e a vila de Maragogipe logo voltou à vida normal.

Essa igreja é um destacado ponto de interesse histórico, pois sua fachada, bem como seu interior, se lembram o estilo da Antiga Sé Primacial de Salvador, que infelizmente foi demolida no início do século XX.

Os portais são feitos de pedra de cantaria entalhada, e as torres são terminadas em pirâmides simples, revestidas de cacos de azulejos e de conchas, no estilo típico de igrejas baianas do século XVII.

O interior é guarnecido por altares em estilo neoclássico, que provavelmente foram incorporados à igreja no século XIX.

Todos os anos, no mês de agosto, ocorre uma grande celebração em louvor ao padroeiro São Bartolomeu, um dos doze apóstolos de Cristo."

In: https://sanctuaria.art/2015/04/01/matriz-de-sao-bartolomeu-maragogipe-ba/

 

Os otutus que elevam Dangbé (dangbê) nos terreiros de Jeje são geralmente decorados como as antigas torres de igrejas de Salvador, com cacos de azulejos e/ou conchas, assim como os da igreja matriz de Maragogipe. O Otutu não é somente o local de oferendas, mas um marco que caracteriza a identidade de um povo de origem Adam, assim como os hulas. Vide a postagem sobre Dangbé neste blog.



"A história de São Bartolomeu e seu martírio por esfolamento"

"Antônio Nunes Oliveira"


“Filipe vai ter com Natanael e lhe diz: ‘É Jesus, o filho de José de Nazaré’”. Depois de externar sua sinceridade e aproximar-se do Cristo, Bartolomeu ouviu dos lábios do Mestre a sua principal característica: “Eis um verdadeiro israelita no qual não há fingimento” (Jo 1,47).

A partir desse dia, Bartolomeu, mencionado como Natanael (Origem do Hebraico com a junção de duas palavras: Netan’el = nathá + El, “ele deu” e “Deus”, significando assim, “Deus deu”, “dom de Deus” ou “presente de Deus”) tornou-se discípulo de Jesus Cristo. A Igreja entende a partir das Sagradas Escrituras que Bartolomeu foi escolhido por Cristo a partir de um momento “chave” da sua vida em que Cristo o observou e só Ele e Bartolomeu sabem o que passou em seu coração.

Quando Cristo o chamou, logo após fazer o elogio do Israelita Verdadeiro, Bartolomeu o responde com profundo respeito e admiração: “Como me conheces?” (Jo 1, 48a); enquanto Jesus o responde: “Antes que Filipe te chamasse, eu te vi quando estavas sob a figueira“(Jo 1, 48b). Bartolomeu então, sente-se comovido e tocado pelas palavras de Jesus. O texto nos leva a perceber os sentimentos de Bartolomeu, que se sentiu compreendido por Deus e compreende que este Homem que o chama, sabe tudo acerca da sua vida, Ele sabe, conhece, e ensina o caminho da vida, a este Homem pode realmente confiar todas as suas preocupações e toda sua vida; e assim responde com uma confissão de fé sincera e límpida, dizendo: “Rabi, tu és o filho de Deus, tu és o Rei de Israel” (Jo 1, 49).

Nos Evangelhos sinópticos, cita-se que Bartolomeu ou Bar-Talmay (filho de Talmay em Aramaico) nasceu em Caná da Galiléia, a pequena aldeia onde Jesus transformou a água em vinho, tendo vivenciado uma infância e adolescência comum aos homens de sua época.

Bartolomeu conviveu com Jesus, tendo presenciado milagres e vivido conforme a sua profissão de fé. Sua vocação é apresentada de forma concreta, real e viva no testemunho da fé e atividade apostólica. Bartolomeu não nos ensina apenas uma profissão de fé em Cristo, mas sua assinatura é clara: todo nosso conhecimento e ciência acerca de Jesus é vã se não a experimentamos; ou seja, é adentrar nas águas profundas da nossa Fé, é viver o autentico Evangelho em nossas vidas.

Após a ressurreição de Cristo, não há muitos relatos detalhando sua atividade apostólica. Em 2006, o Papa Emérito Bento XVI, na Audiência Geral do dia 04 de Outubro, abordou sobre São Bartolomeu:

“Da sucessiva atividade apostólica de Bartolomeu-Natanael não temos notícias claras. Segundo uma informação referida pelo historiador Eusébio do século IV, um certo Panteno teria encontrado até na Índia os sinais de uma presença de Bartolomeu (cf. Hist. eccl., V 10,3). Na tradição posterior, a partir da Idade Média, impôs-se a narração da sua morte por esfolamento, que se tornou muito popular. Pense-se na conhecidíssima cena do Juízo Universal na Capela Sistina, na qual Michelangelo pintou São Bartolomeu que segura com a mão esquerda a sua pele, sobre a qual o artista deixou o seu auto-retrato. As suas relíquias são veneradas aqui em Roma na Igreja a ele dedicada na Ilha Tiberina, aonde teriam sido levadas pelo Imperador alemão Otto III no ano de 983.

Para concluir, podemos dizer que a figura de São Bartolomeu, mesmo sendo escassas as informações acerca dele, permanece contudo diante de nós para nos dizer que a adesão a Jesus pode ser vivida e testemunhada também sem cumprir obras sensacionais. Extraordinário é e permanece o próprio Jesus, ao qual cada um de nós está chamado a consagrar a própria vida e a própria morte.”


Cena do Juízo Universal, Capela Sistina. Autor: Michelangelo. São Bartolomeu que segura com a mão esquerda a sua pele resultado de seu martírio, esfolado vivo.
O martírio do apóstolo ocorreu na cidade de Albanópolis, hoje Derbent, na região russa do Daguestão, às margens do mar Cáucaso. A tradição conta que ele teria sido morto por ordem do governador local, o qual não aceitava a pregação e a conversão dos nativos ao cristianismo. Sua morte por esfolamento é considerado o ápice de sua fé, sendo assim, o seu martírio vermelho.

O esfolamento é um método de tortura relatado desde 800 a.C no norte da África. A vítima era preparada para que o tecido epitelial se soltasse mais facilmente, seja por meio de panos quentes sobre a pele ou por deixar a vítima por horas abaixo do sol quente e escaldante, como faziam os Astecas. Métodos mais extremos como o de cozinhar a pessoa em um caldeirão com água fervente e/ou óleo, sem deixá-la padecer, também já foi relatado durante a Idade Média.

A pele era demarcada por meio de uma faca afiada, pois se dizia que a dor era amenizada. Conta-se que os turcos seljúcidas, mestres na arte da esfolação, preferiam tal técnica pois a tortura poderia perdurar por mais tempo. Faziam cortes longos e horizontais, preferindo retirar pedaços grandes de pele.


Dessa forma, a vítima perdia uma grande quantidade de sangue, sentia muito frio pois, a pele também participa da regulação da temperatura, sendo nossa primeira defesa e parte do sistema regulador da homeostase (equilíbrio dos sistemas e das funções corporais) em uma linguagem fisiológica. Por isso a hipotermia era uma das causas das mortes decorrentes de esfolamento.

Algo indubitável que acontecia era a perda da consciência e choque. Como os algozes faziam de tudo para manter a vítima viva do início ao final, mantinham as vítimas despertas por meio de tormentos físicos (socos, queimaduras, colocar a pessoa de cabeça para baixo, etc). Choque hipovolêmico e desmaio não tardaria em tal situação. Alguns relatos mencionam que a maioria das vítimas por esfolamento perdiam a consciência antes que a pele do torso fosse removida.

A festa litúrgica de São Bartolomeu é celebrada no dia 24 de agosto, dia provável de sua morte. As igrejas da Europa oriental são muito gratas a São Bartolomeu pelo seu testemunho de fé e santidade. Frutos esses que duram até os dias de hoje…

In: https://anatomiaefisioterapia.com/2020/04/17/a-historia-de-sao-bartolomeu-e-seu-martirio-por-esfolamento/.       (22/05/2023).

 


O principal motivo do sincretismo de Dàn (Dã) com São Bartolomeu é devido ao martírio deste Santo as serpentes perdem as peles enquanto estão crescendo, lógico não se trata de uma comparação com o sofrimento do santo em vida,  porém, do perder a pele.

E como eu me referi no último post sobre o Bumba-meu-Boi que antigamente existia na cidade de Maragogipe, lá vai o touro preto na frente...  "Resistência". São Bartolomeu, 2022. Assista ao vídeo:
https://youtu.be/Zwxn5Dpya-k

domingo, 21 de maio de 2023

Há Mistério Entre Dom Sebastião e os Jejes.

 "O sebastianismo foi uma crença ou movimento profético que surgiu em Portugal em fins do século XVI como consequência do desaparecimento do rei D. Sebastião na Batalha de Alcácer-Quibir, em 1578, que gerou uma crise de sucessão em Portugal.
Acreditava-se que D. Sebastião voltaria para salvar Portugal dos problemas desencadeados pelo seu desaparecimento. Trata-se de um messianismo adaptado às condições lusas e à cultura de Portugal e traduz uma inconformidade com a situação política vigente e uma expectativa de salvação da nação, ainda que miraculosa, através do retorno de um morto ilustre.

 "O sebastianismo também influenciou certos movimentos brasileiros em todo o país, desde o Rio Grande do Sul até ao norte do Brasil, principalmente no início do século XX.  Por exemplo, Antônio Conselheiro empregou-o em seus discursos à população de Canudos, no sertão baiano, entre 1893 e 1897. Segundo ele, Dom Sebastião iria retornar dos mortos para restaurar a monarquia no Brasil, atraindo assim a ira do recém-inaugurado governo republicano do Brasil. Antônio Conselheiro via também na realeza de D. Pedro II e na Casa de Bragança o Direito Divino do Império do Brasil recebido na cristofania do milagre de Ourique. O resultado foi a destruição do Arraial de Canudos pelo Exército em 1897.  No nordeste destacam-se dois movimentos sebastianistas no interior do estado de Pernambuco, que, segundo a crítica aos movimentos na época, tiveram um caráter político-religioso violento e com líderes fanáticos, que ludibriavam a população de boa fé, já vítima dos problemas da seca. O primeiro, A Tragédia do Rodeador, foi liderado por Silvestre José dos Santos que, em 1819, criou um arraial em um local denominado Sítio da Pedra. Ele foi destruído em 1820 pelo governador do estado, Luiz do Rego. Esta destruição, conhecida como Massacre de Bonito, matou 91 pessoas e feriu mais de 100. Depois disso, mais de 200 mulheres e 300 crianças foram aprisionadas e mandadas para Recife.  O segundo movimento é conhecido como A Tragédia da Pedra Bonita. Foi criada uma espécie de reino na localidade de Pedra Bonita, na Serra Formosa, por João Antonio dos Santos. Como o sucessor de João Antonio, João Ferreira, pregava que o rei D. Sebastião só voltaria se a Pedra Bonita fosse banhada de sangue, foi promovido um grande massacre no qual morreram 87 pessoas. Este arraial foi destruído pelo major Manoel Pereira da Silva.  Este último movimento inspirou o escritor José Lins do Rego a escrever o romance Pedra Bonita, além do romance A Pedra do Reino de Ariano Suassuna.  No Maranhão, há uma crença, especialmente na ilha dos Lençóis, no litoral do estado, de que o Rei D. Sebastião viveria nesta ilha, havendo muitas lendas em torno de sua figura, como se transformar em um touro negro encantado, com uma estrela na testa. O couro do boi do Bumba-meu-Boi, principalmente os de sotaque de zabumba e de pandeiros de costa de mão, das regiões de Cururupu e Guimarães, costuma ter a ponta dos chifres em metal dourado e traz, bordada na testa, uma estrela de ouro e jóias, em alusão à lenda. Religiões de matriz africana no estado, como o tambor de mina e o terecô, também tem especial relação com o rei Sebastião, que figura como um encantado."

In: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Sebastianismo (21/05/2023).

É importante observar no texto a forma pela qual o encantado Dom Sebastião se apresenta em uma das lendas da Ilha dos Lençóis no Maranhão: se transformando em um touro negro com uma estrela na testa, e essa estrela e os chifres são representados nos instrumentos de percussão do Bumba-meu-Boi de Cururupu e Guimarães.

Também é importante saber que o Vodum Jogorobossu na forma da grande serpente traz sobre a cabeça o desenho da cabeça de um touro.

Vide:  https://papoinformalpapoinformal.blogspot.com/2011/08/jogorobossu.html

E o mais interessante de tudo é que Nagé, em Maragogipe já teve Bumba-meu-Boi no passado e que Maragogipe foi criada sob o reinado de Dom Sebastião .

"(...) A povoação ficava localizada em terras da sesmaria de Paraguaçu (ou Paroaçu), doada a D. Álvaro da Costa, por seu pai D. Duarte da Costa, 2º Governador-Geral do Brasil, em 16 de Janeiro de 1557, doação essa confirmada por Alvará Régio datado de 12 de março de 1562.

Foi a sesmaria transformada em Capitania pelo Cardeal Regente, D. Henrique, por Carta de 20 de novembro de 1565, confirmada por outra carta datada de 28 de março de 1566. Registrada em Lisboa a 23 de agosto de 1571, durante o reinado de D. Sebastião, Maragogipe ficou sendo então sua principal localidade. (...)"

In:  https://www.achetudoeregiao.com.br/ba/maragogipe/historia.htm

A maioria dos cidadãos maragogipanos ouviu os mais velhos falarem, ou até mesmo chegaram a ver um lindo cavalo branco que rondava a cidade pelas noites claras, inclusive no distrito de Nagé, onde populares atribuíam ser do vodum Terreiro do Pinho, mas o dono físico ninguém sabia quem era, de onde realmente era, e jamais se conseguiu tocá-lo ou chegar perto do animal de tão rara beleza. Eu me pergunto agora: existiria alguma relação entre essa aparição e Dom Sebastião? Pois em suas aparições nos Lençóis maranhenses quase sempre se faz acompanhado por cavalos, e nos Lençóiscomo é sabido, não existem cavalos até então.

Assista o vídeo :

https://www.camara.leg.br/tv/199159-a-ilha-de-dom-sebast

 


 



















Evento Dança de Sakpatá Realizada em Bohicon.

Dança do vodum Sakpatá realizada por seus adeptos no Palácio de Gbaguidi Soha, Benim, realizada do mês de Abril de 2023.

#Mahi #Savalu


  Vale à pena conferir o vídeo. 

  https://youtu.be/_1Rw4L0KGUg

 




 

 

sexta-feira, 12 de maio de 2023

Pra Quem Quer Perder Peso.

Não é fácil não, mas não é impossível, basta adicionar uma colher de chá de Cola nítida em pó na sua principal refeição do dia, todos dos dias. Você pode encontrar a Noz de Cola em pó em ervanários, lojas de produtos naturais físicas ou online. Só não exceda com o uso do  produto, porque é estimulante como o café. Seu desejo de comer mais, de repetir o prato que acabou de comer, vai passar.



 


quinta-feira, 11 de maio de 2023

Tchamba Vodu.

 

 





"Escravos sagrados: Tchamba Vodu no sul do Togo"
(Universidade de Michigan-Flint Wayne State University)



"Água Tchamba"

"Para os praticantes da etnia Ewe de Gorovodu ao longo da costa da Baía de Benin, Tchamba é um termo complexo e multireferencial. Denota uma área geográfica no norte do Togo, um grupo étnico, um complexo religioso no sul de Gana, Togo e Benin, e o nome do grupo espiritual que é venerado neste complexo. Um escravo ancestral, ou espírito Tchamba, pode ser homem ou mulher, mas, dada a centralidade das esposas e mães escravas na religião, a ordem religiosa é muitas vezes referida como Mama Tchamba (avó escrava). Para Brivio, a ordem religiosa Tchamba “é o lugar onde se encontram os espíritos dos escravos e os dos senhores. No altar celebram-se quer os antepassados ​​envolvidos no tráfico, quer as suas vítimas, escravos integrados na família. As cerimônias coletivas, além do círculo familiar,

Esses espíritos podem ser os espíritos de esposas de escravos, aqueles vendidos no comércio transatlântico de escravos ou aqueles indivíduos que foram capturados e posteriormente assassinados por lucro ou outro motivo. Os espíritos dos senhores e os espíritos dos escravos encontram-se nos corpos dos adeptos Tchamba através de episódios de transe de possessão durante as cerimónias Tchamba. Através desses episódios de possessão, os adeptos de Tchamba tornam-se escravos das origens étnicas Mossi, Kabye, Tchamba ou Hausa.

Esses espíritos solicitarão os apetrechos religiosos e as bebidas e pratos favoritos da região específica ou grupo étnico de onde são originários. A ordem religiosa Tchamba permite que as pessoas enfrentem o papel de seus ancestrais e da comunidade no tráfico de escravos como escravos e traficantes de escravos. Outros espaços de contato e comunicação permitem a veneração: o santuário coletivo Tchamba, os santuários pessoais nas casas, as Florestas Sagradas das comunidades de Gorovodu e o corpo individual.

A crença e a prática de Tchamba estão situadas na matriz maior do vodu na África Ocidental. Todos os adeptos de Tchamba também são membros de outras congregações de vodu (por exemplo, Gorovodu e Yewevodu). Um indivíduo é chamado a honrar os espíritos Tchamba através de uma variedade de meios que são comuns à prática religiosa Ewe. Alguém pode ser acometido por uma doença ou um infortúnio e ser informado pelos vodus que os Tchamba são a causa raiz, cometendo violência contra o indivíduo a fim de trazê-lo para a ordem. Alguém pode ser possuído e aprender sobre a ancestralidade e vocação do Tchamba. Na maioria das vezes, aprende-se através da adivinhação de Afa que eles descendem de uma família de escravos e que os espíritos agora os estão chamando para a devoção.

Organização social

Antes da era da construção da identidade cidadã do final do século XX, os africanos ocidentais “eram multilíngues, tinham múltiplas autoatribuições, mudaram suas identidades, forjaram redes mais amplas e se valorizaram com base em outros critérios, como ocupação ou casta. .

Uma distinção óbvia de casta era entre escravos e não-escravos. Dentro das comunidades Ewe, essa distinção foi identificada por meio de muitos significantes, mas principalmente por meio da linguagem. Visto como o principal marcador de identidade, a fluência no idioma ou dialeto local é vista como um indicador de status interno. A maioria dos indivíduos capturados em guerras ou incursões eram membros de grupos vizinhos e, portanto, o resgate ou fuga era uma possibilidade real e presente. Eles compartilhavam muitas semelhanças socioculturais com os Ewe, incluindo a linguagem, por meio da qual os familiares dos escravos podiam protestar contra sua captura ou providenciar seu retorno. Esses indivíduos foram vendidos o mais rápido possível aos europeus ou seus intermediários, ou simplesmente assassinados.

Por essas razões, os escravos usados ​​no trabalho doméstico normalmente eram originários do sertão não centralizado da savana do norte e eram especificamente membros dos povos étnicos Kabye e Tchamba. A distância geográfica entre os povos do norte da savana e os povos do litoral limitava esse risco de fuga. Criou, segundo Wendl, seguindo Meillassoux, “máxima distância social”. Embora esses grupos culturais exibissem uma grande diversidade nas formas culturais de ver e ser, eles foram agrupados por grupos culturais do sul e associados à selvageria, primitivismo e não-cultura. Eles eram, em uma palavra, “diferentes”.

O tráfico ilegal de escravos com destino ao comércio transatlântico e o tráfico doméstico de escravos eram tipicamente divididos em linhas de gênero. Os homens eram frequentemente vendidos no comércio transatlântico de escravos em troca de mercadorias europeias. As mulheres eram mantidas como esposas, mães e trabalhadoras nas comunidades de Anlo.

Mesmo quando o comércio diminuiu e novos meios de produção e acumulação se tornaram disponíveis, a posse de escravos continuou sendo uma instituição poderosa na sociedade Ewe. O papel da mulher na produção era processar o peixe e o sal que eram comercializados no interior, tornando-a uma importante fonte de mão-de-obra. Enquanto as mulheres Ewe tinham imensa liberdade no grupo de parentesco, as mulheres escravas careciam de parentes locais que pudessem competir pelas capacidades domésticas ou outras produtivas da mulher, e eram consideradas mais obedientes. Comprar uma escrava, incorporá-la ao grupo por meio do casamento e controlar o trabalho dela e de seus filhos em maior grau do que o de uma mulher livre tornou-se uma fonte de provisão de trabalho e disciplina na sociedade Ewe. Incorporar seus filhos à linhagem familiar como membros plenos da sociedade Anlo ligou ainda mais a mulher ao grupo.

Embora as esposas escravas fossem permanentes estranhas, as práticas de parentesco patrilinear na sociedade Ewe permitiam que os filhos herdassem o status do pai. Eles eram parentes juniores e tratados como tal. Esse padrão frequentemente mantinha a esposa escrava na família de seu senhor. Mesmo após a emancipação, muitas escravas permaneceram com essas famílias para ficarem próximas aos filhos. Uma vez que os filhos se tornavam parte do grupo de parentesco do proprietário, o status de “escravo” na patrilinha lentamente desaparecia. Hoje, o status de escravo não está mais na sociedade Ewe, mas muitos indivíduos podem rastrear seus parentes escravos por várias gerações por meio de rituais e histórias orais. Não é incomum que indivíduos nas comunidades Anlo-Ewe relatem que um ou mais bisavós foram amefleflewo.

Embora seus filhos fossem membros de pleno direito da patrilinhagem Anlo, as mulheres escravas, fossem elas capturadas na guerra ou compradas no mercado de escravos, eram permanentes marginais sociais. Eles não falavam Anlo. Eles não nasceram em uma chefia Anlo (duko). Eles não tinham ancestrais Anlo e não veneravam os deuses Anlo. Medidas extensas foram tomadas para integrar as mulheres nas patrilinhagens Anlo, esperando que elas falassem o dialeto Anlo e observassem as tradições e leis Anlo, mas a incorporação não terminou aí. As necessidades e tensões espirituais precisavam ser atendidas e resolvidas. Escravos trazidos de longe não podiam cumprir seus deveres espirituais e, portanto, não podiam manter suas vidas espirituais. Seus espíritos ancestrais não podiam ser devidamente venerados, pois não havia um santuário ancestral para eles. A ausência de fetiches divinos em sua própria cultura significava que os sacrifícios não podiam ser realizados.

Ao reconhecer os deuses Ewe, os escravos estavam reconhecendo a obediência e a moralidade impostas por eles. Mesmo depois que os britânicos proclamaram a emancipação em 1874, os laços de parentesco e religião impediram que muitas escravas voltassem para suas terras natais.

Se o trabalho forçado e o casamento eram a experiência das mulheres escravas, a venda para o comércio transatlântico de escravos ou assassinato era frequentemente a experiência dos homens. A maioria foi vendida para europeus ou intermediários. Se não fossem dóceis, resistissem demais ou viessem de grupos étnicos geograficamente e culturalmente próximos aos Anlo-Ewe, eram massacrados. Como explicou um sacerdote contemporâneo de Tchamba: «Matávamos escravos e usávamos partes específicas do corpo para fazer magia negra [ bovodu ]. Mataríamos escravos para obter conchas de búzios. »

Após a morte na comunidade, os escravos, homens ou mulheres, eram enterrados na zona liminar fora das aldeias. Simbolizando o deserto fora da civilização adequada e da savana do norte, a Floresta Sagrada ( Zogbe ) fora da aldeia é o reino dos espíritos quentes e selvagens do mato, incluindo Bangede, o deus guerreiro do panteão Gorovodu.

Escravas, vistas como estranhas culturais não civilizadas, mas também mães e avós na comunidade, foram enterradas no Zogbe, condizente com sua condição de escravas. Enquanto os membros da patrilinha, como homens, cunhadas e sogras Ewe, e até mesmo os filhos de escravas que morreram afemeku, foram enterrados dentro ou perto do complexo, as escravas sempre foram enterradas em o mato, não importa a maneira como eles morreram. Aqueles homens escravizados que não foram vendidos aos europeus ou outros intermediários foram assassinados e enterrados no Zogbe com as mulheres. No entanto, aqueles enterrados no Zogbe não são simplesmente esquecidos.

Seus espíritos coletivos se juntam aos outros espíritos quentes e selvagens do mato. Os espíritos dos ancestrais escravos estão inchados de ressentimento e raiva por terem sido arrancados de sua cultura e pátria e enterrados fora da comunidade à qual deram tanto. Exigem seu devido lugar na memória social de seus filhos por meio da incorporação e reconhecimento na vida cerimonial das comunidades de seus antigos senhores. Se isso for negado, eles podem retribuir a violência infligida a eles como escravos, trazendo doença, infortúnio ou morte para os substitutos mais próximos dos escravistas, seus descendentes.

Para evitar essa vingança, os descendentes devem se envolver com esses espíritos por meio de práticas rituais comuns em toda a região. Alimentos e libações devem ser oferecidos, louvores devem ser cantados e espíritos devem ser convidados a dançar os corpos dos descendentes em transe de possessão.

Para criar espaços físicos e sociais para esse engajamento, foram construídos santuários para abrigar os objetos espirituais e laços foram construídos com as comunidades de origem das esposas de escravos. De acordo com as tradições orais coletadas por Greene e Venkatachalam, a ordem religiosa Fofie (mais tarde conhecida como Dente ) tornou-se parte da paisagem ritual de Eweland no final do século XIX. De acordo com Greene, os escravos nas comunidades Ewe não eram capazes de venerar seus ancestrais adequadamente e fazer sacrifícios a seus deuses e, portanto, adoeciam. Fofie forneceu um espaço religioso socialmente sancionado que atendeu a essas necessidades.

O fofie provavelmente também surgiu como uma resposta ritual ao fim da escravidão doméstica, que começou a diminuir lentamente nessa época e foi substituída por outras formas de exploração do trabalho trazidas pela intensificação do colonialismo (embora a escravidão doméstica não tenha desaparecido completamente até o início do século XX). século XX). Fofie representava, assim, um espaço ritual estruturado para ex-escravos que faziam parte da comunidade há anos e agora se encontravam em uma posição liminar entre escravo e não-escravo. A ordem se espalhou para os praticantes de Anlo-Ewe Gorovodu e se integrou às suas próprias crenças e práticas religiosas como a ordem religiosa Tchamba. De acordo com os sacerdotes Tchamba e Gorovodu entrevistados para esta pesquisa,

Quando o passado se convida no presente

 Numa entrevista em 2005, um padre Tchamba explicou:

Quando o espírito escravo vem em sua cabeça, pode deixá-lo louco. Você não sabe o que ele fala, o que ele quer, ou de onde ele é. É por isso que fazemos a adivinhação Afa, para descobrir toda essa história. Que tipo de Tchamba é? Quem escravizou quem? Por que? Quando? Essas são as perguntas que só o Afa pode dizer. A adivinhação lhe dirá que tipo de bebida o espírito prefere, que músicas e ritmos ele prefere [ou seja, de sua terra natal no norte]. Afa pode lançar tudo. . Quando você nasceu, seus antepassados ​​nasceram antes de você.

Muitos de seus antepassados ​​eram ricos, e como eles ficaram ricos foi com o sangue e o trabalho de outros. Antigamente, se você queria ganhar dinheiro, comprava pessoas fortes. Para nós Ewe, os escravos vinham de todos os lugares, mas aqueles que nos faziam dinheiro vinham do norte. Muitos homens preferiam tomar escravas como esposas, mesmo durante os tempos europeus de escravidão. Elas se casaram, mães e esposas. Vendíamos aos europeus os escravos que não queríamos. Muitos de nossos antepassados ​​maltratavam os escravos como os europeus. Todos nós desfrutamos do fruto dessas práticas começando com nossos ancestrais (togbui). Mas eles também trouxeram esses espíritos malignos e imprevisíveis de escravos para nossa casa.

Os escravos assassinados viraram fantasmas e voltaram para nos assombrar. Devemos apaziguar a dizimação do continente pelo ritual. Devemos honrá-los.

Pode-se também adquirir uma tchambaga, pulseira que simboliza os grilhões de ferro usados ​​pelos escravos e é metonímica da escravidão como um todo. Se alguém de alguma forma ganha um tchambaga, seja por acaso ou por presente, mas raramente por compra monetária, deve-se realizar a adivinhação Afá para determinar se isso representa um chamado para venerar Tchamba. Tchambagan são compostos de três metais entrelaçados de cores diferentes. Alguns participantes entrevistados para este projeto explicaram que as cores das pulseiras são metonímias para os tons de pele imaginados de diferentes grupos étnicos do norte.

De acordo com um estudo de Rush, o preto, representado pelo ferro, é chamado de boublou (estranho) e é conhecido por ser um espírito turbulento, agressivo e excitável, associado ao ferro, ao trovão e ao fogo. O branco, representado pela prata, é chamado de anohi (espírito Haussá) e é conhecido como uma fonte de espiritualidade calma, associada ao arco-íris. O vermelho, representado pelo cobre ou bronze, é chamado yendi (uma cidade contemporânea no nordeste de Gana) e é conhecido por seus poderes de cura e associação com a terra.

Além disso, esses espíritos correspondem a três espíritos no panteão Yewe Vodu do sul de Benin: Ogum (ferro e guerra), Vodum Dan (serpente do arco-íris) e Sakpatá (terra e doença). Para fazer tchambaga, um padre Tchamba entrelaça as tiras de metal em uma pulseira e as lava com sabão e óleo de bebê.

Após orações em que o espírito de Mami Wata, deusa do mar, é invocado, as pulseiras são colocadas para descansar sob um pano branco no topo do santuário Mami Wata ou levadas para descansar no santuário da Floresta Sagrada, onde os escravos eram enterrados. Aqui, as pulseiras são colocadas sobre ou na frente dos fetiches dos espíritos voduns quentes, selvagens e selvagens. Após três dias, as pulseiras são tchambagan e embebidas com poder (nuse). O uso da pulseira representa uma forma material de veneração e identifica o indivíduo como um Tchambasi, ou esposa de Tchamba, e, por definição, como um indivíduo com associações históricas com o tráfico de escravos.

Uma vez que os espíritos Tchamba tenham chamado um indivíduo, ele ou ela deve reconhecer a descendência dos escravos Ewe e das escravas que eles mantinham como esposas, mães e trabalhadoras domésticas. É preciso reconhecer que os ancestrais de alguém arrancaram os outros de sua terra natal e cultura, forçaram-nos à servidão e depois a morte os jogou de lado na zona de mata selvagem fora da comunidade."


Muitos ficaram ricos brutalizando e explorando os outros dessa maneira. Deve-se também reconhecer que seus ancestrais foram escravizados, deixados de lado e agora retornam como espíritos exigindo seu devido reconhecimento e lugar como ancestrais na comunidade, merecendo honra e veneração. O adepto Tchamba deve prestar homenagem e venerar esses espíritos ancestrais vingativos fazendo oferendas regulares de comida e libações de gim nos santuários Tchamba e participando das cerimônias Tchamba."



Artigo escrito por Vannier e Montgomery

In: https://anuntoldstoryblog.wordpress.com/2020/05/24/sacred-slaves-tchamba-vodu-in-southern-togo/



O Quilombo de Maria Conga.

A História do Quilombo de Maria Conga em Magé, Estado do Rio de Janeiro.

Vídeo muito esclarecedor. Maria Conga era de origem banta, mas os negros que escapavam do cativeiro eram provenientes de diversas etnias das matrizes banta e sudaneza.

Assista ao vídeo:

https://youtu.be/MeE5KWrZ3Us

Serra dos Órgãos


Atassi

O Atassi, é um delicioso prato meio apimentado, ele é o precursor do tradicional Baião de Dois do nordeste brasileiro, em Benim ele também é conhecido como Watchê, em Gana como Waakye, sua confecção data desde a época da introdução chinesa pelos portugueses para o domínio da técnica do cultivo do arroz. Vamos a ele? 

1 cebola cebola grande bem picadinha; 5 dentes de alho grandes socados; 5 colheres de sopa de óleo de soja ou de amendoim; 2 tomates bem vermelhos, sem peles, sem caroços e bem amassados; 2 colheres de sobremesa de camarão seco descascados moídos ou  socados; 1 colher de sobremesa de páprica picante; Use a pimenta de sua preferência, eu prefiro a malagueta vermelha e umas pitadas de pimenta de cheiro; 1 colher de sobremesa de gengibre ralado; 250 gramas de feijão fradinho (feijão de corda) ou do feijão marrom deixado previamente de molho de um dia para o outro; 250 gramas de arroz branco; 1 L de água  filtrada; sal  a gosto.

Coloque o feijão previamente escorrido, para ferver com a água em uma panela de pressão; cozinhe-o  por uns dez minutos, até que fique macio. 

Coloque todos os temperos em uma frigideira com o óleo, com fogo baixo, e deixe refogar por uns dois ou três minutos, então, adicione ao feijão já cozido. Acrescente o arroz para cozinhar com a panela destampada, adicionando mais um pouco de água filtrada se for necessário. Procure não ficar mexendo muito para não amassar muito o feijão e não empapar o arroz.

Este prato pode ser servido acompanhado de uma salada de alface, tomates meio avermelhados em rodelas e agriões cortados, ou com o que você quiser. Há quem gosta de acompanhá-lo com linguiça frita; Há quem gosta de acompanhá-lo com queijo branco cortado em pequenos cubos.

Bom apetite!

🥣🍴❤️🙏



quarta-feira, 10 de maio de 2023

Amalá Ologuedé

É o amalá feito com a farinha de bananas-da-terra e água, e também fica muito bom acompanhando sopas e ensopados. 

No oeste e no norte da África este prato também é conhecido como Fufu de bananas.

Utilize para cada meio copo de farinha de bananas, três copos de água filtrada fervente, seguindo o procedimento descrito na receita do Amalá Dudu, postada anteriormente, substituindo a farinha e a quantidade.

Bom apetite!

🥣🍴😋🙏♥️



terça-feira, 9 de maio de 2023

Amalá Dudu

Para preparar o Àmàlà Dudù usamos a farinha escura de inhames (de isu, pronuncia-se ishu). 

Meça 1 xícara de farinha de inhame e 2 xícaras de água filtrada. Ferva a água. Reserve um pouco da água fervida para uso posterior. Adicione a farinha de inhame em meio copo de água fervente. Use uma colher de pau, que é melhor para mexer, e evite a formação de grumos. Continue misturando até ficar bem homogêneo. Abaixe o fogo e vá despejando aos poucos o restante da água fervente, mexendo sempre, até que se forme uma massa espessa, escura e mais translúcida. Está pronto o Amalá Dudu (Amalá Preto).

É delicioso com sopa de feijão ou com ensopado de quiabos. É bem conhecidos no oeste e no norte da África e muito popular entre os irorubás e nagôs. É um prato muito servido em eventos populares.

Bom apetite! 🍴🥣❤️



segunda-feira, 8 de maio de 2023

Amalá Lafum

O Amalá Lafum.

Àmàlà Lafun do iorubá; Lafun dos Egbás, Amalá Branco de Mandioca, daí a razão de se denominar o Ebá o Bolinho de Egun, mas a farinha do Ebá não é obrigatoriamente igual, e o preparo difere um pouco deste amalá que é feito com farinha de mandioca branca crua e bem fina.

750g de farinha de mandioca

1 litro de água filtrada fervente

Coloque a água para ferver e quando começar a ferver retire do fogo. Abaixe o fogo e coloque uma panela de boca larga com toda a farinha ali dentro; vá adicionando a água fervida aos poucos, mexendo continuamente, evitando a formação de grumos. Irá se formar uma massa bem esbranquiçada que se tornará translúcida. Apague o fogo e retire a massa da panela formando um bolo de massa, está pronto o Lafum, não tem mistério, mas deve ter-se cautela no preparo. Não se coloca sal, o sal vai no acompanhamento que até pode ser uma sopa.

😋🥣🍴🍻♥️ 



domingo, 7 de maio de 2023

Sopa de Ewedu.

A Sopa de Ewedu é um prato muito nutritivo e bem conhecido por todo oeste e norte africano..Essas folhas também são consumidas em pratos da Índia, da China, do Oriente Médio e do Egito. 

Lave bem três molhos de folhas do Caruru-da-Bahia (folhas de Juta; Ewedu em iorubá) e escorra a água. Logo após a lavagem, corte fino e depois soque bem as folhas, se necessário for acrescente um pouco de água filtrada para facilitar esse processo. Misture ali alguns camarões ou lagostins descascados e lavados. Ponha 1 colher de chá de Alfarroba ou de Chocolate Amargo em pó. Junte sal, cebola e alho a gosto, e umas pitadas de Pimenta-da-Costa se desejar. Leve para cozinhar adicionando 1 litro de água filtrada, em fogo médio por cerca de 5 minutos; se cozinhar pouco não libera o sabor da folha, e se cozinhar muito perde-se a viscosidade que elas possuem.

Serve-se acompanhada de arroz branco, de purê de inhames, de Fufu, ou de qualquer tipo de amalá. 

Bom apetite! 😋 ❤️



sábado, 6 de maio de 2023

O Povo Egbá.

 "O povo EGBÁ fazia parte do famoso império pré-colonial africano Oyó (reino) na Nigéria. Até o século 18 , o povo EGBÁ vivia em um aglomerado de aldeias em torno de um lugar conhecido como Orile – Itoko, como um território sujeito do antigo império Oyo, que foi um dos impérios mais fortes que já existiu na África Ocidental.

A pátria original do povo EGBÁ na floresta EGBÁ foi estabelecida pelos migrantes iorubás de outros lugares. De acordo com a história dos irorubás, os chefes Eso Ikoyi na comitiva do primeiro Alaké EGBÁ juntaram-se a ele na fundação de uma nova comunidade, a Confederação de cidades que ficou conhecida como Orile EGBÁ.

Na floresta depois que eles deixaram o nascente Império Oyo no século 13 , Orile EGBÁ continuou a existir até sua destruição durante a guerra civil Yoruba do século 19 . Como resultado, muitas das principais famílias dos Egbá Alaké reivindicam descendência dos Eso Ikoyis hoje.

Alaké é uma das cinco seções de Egbalândia, sendo as outras Oke - Ona, Gbagura, Owu e Ibará (historicamente, Ibará faz parte de Yewá, não de Egbá, embora esteja localizada geograficamente na atual Abeokutá). estado tradicional que se une com suas seções limítrofes para formar uma espécie de alto reinado. O Alaké de Abeokutá ou Alaké da Egbalândia, é o governante tradicional do clã Egbá iorubá na cidade de Abeokutá no sudoeste da Nigéria.

A terra Egbá é abençoada com muitas canções, ritmos e principalmente tem um hino especial. Entre todos os ritmos, o ritmo do louvor é considerado uma das formas mais surpreendentes de fazer alguém se sentir especial, curando o corpo ou a mente.

O popular panegírico (oriki) do povo Egbá é “ilu ti a ti bimi l'omo”.

Egba mo'lisa

Omo gbungbo akala

Omo Erin jogun ola

Omo osi 'ekun pa 'le kunde

Aridi ogo loju ogun Baba t'emi la royin ogun

Baara fagbe

Ko sohun ti won n se ni Meca

T'awa kii se Legba Alake

Won n mumi semi semi ni Meca

Awa n mumi odo ogun Legba Alake

Won n g'arafa ni mecca Awa n gori olumo l' Egba tiwa

Won bimi L'ake

Mo gbo lenu bi jeje

Won bimi ni Gbagura

Mo gbo lohun bi oje.


Os Egbás podem ser distinguidos de outros grupos iorubás pela forma como suas marcas tribais faciais são cortadas. A marca facial Egbá é conhecida como Abajá Oro, ou seja, o Abajá vertical é característico dos Egbás. Eles consistem em três linhas perpendiculares, cada uma com cerca de 3 polegadas de comprimento em cada bochecha. As gerações mais jovens, no entanto, têm suas linhas bastante fracas ou de comprimentos mais curtos, indistinguíveis do ipele.

Nas roupas, os homens Egbás usam calças, kembe/sokoto; Buba e Agbadá, boné, filá (abeti ajá). Suas mulheres usam:  vestidos, iro, Buba; Chapelaria, Guelê, outros – ipele – pedaço de pano colocado no ombro ou enrolado na cintura.

Seu alimento básico é Lafu (amalá branco) e sopa de Ewedu; wara, (bebida de requeijão).

O povo Egbá fala o dialeto iorubá norte-oeste (NWY) das línguas iorubás que pertencem ao maior filo de línguas Níger-Congo. Além do povo Egbá de Abeokutá, o dialeto NWY também é falado nas áreas de Oyo Ogun e Lagos.

Óleo de palma, madeira, borracha, inhame, arroz, mandioca, milho, algodão, outras frutas e manteiga de karité são os principais artigos de comércio. É um importante local de exportação de cacau, produtos de palma, frutas e nozes de cola. Tanto o arroz como o algodão foram introduzidos pelos missionários na década de 1850 e tornaram-se parte integrante da economia, juntamente com o corante índigo. Fica abaixo da Rocha Olumó, lar de várias cavernas e santuários. A cidade depende da barragem do rio Oyan para o abastecimento de água.

Existem inúmeros festivais realizados em Egbalândia e eles são bem conhecidos dentro e fora da Nigéria. Estes são alguns dos poucos; Festival Ojudê Obá, Igunuko, Olumó, Gueledé, Oro, Orixä Oko, Obinrin Ojowu, Festivais Abalufon, Festivais Oronna. Mas o mais comum é o Festival de Egungun.

Edifícios ou estruturas notáveis ​​incluem o Aké (a residência do Alaké), o Salão do centenário e várias igrejas e mesquitas. Edifícios de escolas secundárias e primárias Colégios de Professores, Universidade de Agricultura (anteriormente campus da Universidade de Lagos), politécnicos, vários programas da Autoridade da Bacia Hidrográfica. Uma fábrica de plásticos, uma cervejaria, serrarias e uma fábrica de produtos de alumínio. Ao sul das cidades estão as pedreiras de granito Aro, que fornecem materiais de construção para grande parte do sul da Nigéria, e uma enorme e moderna fábrica de cimento em Ewekoro.

Os Egbás têm sido membros significativos de partidos políticos no poder, música, arte, defesa do feminismo, liberdade e democracia e na vanguarda das campanhas de direitos humanos. Infect, eles contribuíram significativamente para o desenvolvimento político da Nigéria e do mundo em geral."

Por: FADESERE DAVID

In: https://fatherlandgazette.com/the-egba-people/





terça-feira, 2 de maio de 2023

Chambá

A erva Chambá (Mutuquinha), rica em cumarina,  ocorre por  toda parte do Globo entre os trópicos. Em qualquer parte do mundo esta planta é conhecida por combater fortes gripes, inflamações, dor e febre. Em época de frio e seca, sua atuação é muito rápida, bastando uma xícara do seu chá, ou uma colher de sopa do seu xarope, para começar o processo de recuperação da saúde.




segunda-feira, 1 de maio de 2023

Anyi Ewó


É conceito desenvolvido pelos ewes de que o excremento da grande serpente arco-íris seria capaz de transmutar o milho em owo eyó (cauris), o que lhe valia o título de Anyi Ewó, daí a crença do milho usado para atrair dinheiro e prosperidade dentro do Candomblé. Cría-se, também, que o próprio excremento transformava-se em pérolas dentro das conchas do mar, em búzios que eram o dinheiro da época e em ouro.
Os xwlas (hulas), popos, afirmam que as contas amarelas com listras coloridas, denominadas addo, são obra da serpente Aydohwedo.

À propósito, foi através dos hulas que Xangô ficou denominado Runhó, de uma forma geral nos candomblés de Jeje Daomé e Jeje Mahi do Brasil, como o denominam na África, dentre outros feitos. 

Os hulas são experientes com a fabricação e o uso das contas e graças a eles houve uma grande difusão, não só para embelezamento como adorno e colares e pulseiras religiosos, mas contas em seus respectivos formatos, tamanhos e cores também foram utilizadas para distinguir classes em reinos, chefes, ministros do rei, etc. Os Hulas, contudo, só não faziam uso das contas de Nanadjè, é um interdito para um hula fazer uso dessas contas.

“ Foi Aydohwedo quem fez as pérolas popo”, afirmou Francis Burton na segunda metade do século XIX . "Entendemos que desejando enriquecer um indivíduo, Dan a serpente, em conexão com o Arco-Íris (no país Fon) o leva por uma força cega ao lugar onde a cauda do último deveria tocar o chão. Ocorre então uma profunda escavação contendo ouro e pérolas" Era assim que eles críam e encontravam o local certo, repleto de ouro e pedras preciosas, no fim do arco-íris, onde surgia a nova mina, segundo concebeu o autor em sua época.