No princípio dos tempos os sacrifícios animais eram proibidos.
Com base na tradição de Ifá, particularmente no Odu Osa Meji e ainda outros, o Eje
(sangue) — especialmente quando associado a sacrifícios ou ao "sangue da ave" (eye) —
está profundamente conectado ao poder das Iyami Ajé (as "Nossas Mães").
A ideia central sobre o uso proibido do sangue decorre do seguinte:
A- Violação de Pactos Sagrados: Em Osa Meji, foi feito um pacto entre os seres humanos e
as Iyami (Eleye) de que não fariam mal uns aos outros. Os humanos quebraram essa
aliança ao caçar e consumir aves (o eje da ave), o que deu às Iyami a autoridade espiritual
para intervir nos assuntos humanos.
B- Mau Uso do Poder: As Ajé são reconhecidas como as "Donas do Mundo". Malbaratar
essa energia ou tentar manipulá-la através de sacrifícios de sangue feitos de forma
imprudente, maldosa ou sem o devido preceito pode atrair a ira delas.
C- O Poder do Vermelho: A energia das Iyami é categorizada em Ajé Dudu (preta), Ajé
Pupa (vermelha) e Ajé Funfun (branca). A energia vermelha, simbolizada pelo sangue ou
substâncias vermelhas, é extremamente volátil. O uso sem a devida sanção espiritual ou
para fins negativos é considerado um tabu grave.
Em resumo, o "uso proibido de eje" refere-se ao manejo do sangue que viola os pactos
secretos com as Iyami Ajé ou ao seu uso em rituais mal-intencionados sem a orientação de
um Babalawo ou Iyanifa qualificado.
O Trono de Iyami Osoronga
O Odu Osa Meji é considerado o "trono" das Iyami Osoronga (também conhecidas como
Eleye, a "Senhora dos Pássaros"). A relação entre os seres humanos e essas entidades
neste odu é marcada por um pacto de sobrevivência e respeito mútuo.
Aqui estão os pontos centrais dessa relação segundo a tradição:
1. O Pacto Original (A Aliança)
Diz o Itã (história) que, quando as Iyami desceram do Orun (céu) para o Aiye (terra), elas
não tinham o que comer. Olodumare (Deus) permitiu que elas vivessem aqui, mas
estabeleceu que elas não poderiam matar os filhos dos homens sem motivo. Em troca, os
seres humanos deveriam respeitá-las e oferecer-lhes o seu sustento através do Ebó.
2. A Quebra do Pacto e o "Eje" (Sangue)
A tensão começou quando os seres humanos passaram a caçar e comer os pássaros, que
são as manifestações físicas ou mensageiros das Iyami. Ao derramar o sangue (eje) desses
pássaros, o homem violou o espaço sagrado delas. Por isso, em Osa Meji, as Iyami
ganharam o direito de "cobrar" essa dívida, o que pode se manifestar como doenças,
esterilidade ou infortúnios, caso não sejam devidamente aplacadas.
3. O Papel de Orunmila (O Mediador) Neste Odu
Orunmila (a divindade da sabedoria) é quem ensina aos homens como lidar com as Iyami.
Ele mostra que não se deve lutar contra elas, pois o poder delas é ancestral e indispensável
para a fertilidade e a continuidade da vida. A relação deve ser de aplacamento de sua ira,
através de um ipese.
Os seres humanos reconhecem o poder das "Mães".
As Iyami, em troca de oferendas específicas (como dendê, fígado, ovos e certas carnes),
protegem a comunidade e garantem que a vida prossiga.
4. O Poder Feminino e a Justiça
Osa Meji ensina que as Iyami representam a justiça implacável e o poder feminino
primordial. Elas são as guardiãs das leis naturais. Se um ser humano age com arrogância
ou crueldade, elas intervêm. Por outro lado, se forem respeitadas, tornam-se as maiores
protetoras, especialmente das mulheres e da maternidade.
Resumo da lição de Osa Meji:
A convivência entre humanos e Iyami não é baseada no medo cego, mas na disciplina
ritual. O ser humano precisa entender que não é o dono absoluto da terra e que deve "pagar
o tributo" de respeito às forças que regem o mundo.
(Da tradição iorubá do Ifá)
*Ipese (uma oferenda para pacificação)
Ifabimi.

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