sexta-feira, 25 de julho de 2008

Os Dùlé do Vodún Fá - Os odus de Ifá

Legba é o intermediário na consulta à Fá, o vodún (vodun) do destino, é ele quem traz as mensagem, e indica o preceito que deve ser feito, ou mesmo o que não deve ser feito, para a resolução de um problema, ou mediante uma questão.
Os voduns respondem através deste caminhos revelados no Fá-titê (consulta ao Fá) e não estabelecem necessáriamente uma ordem de respostas correspondente aos awon òrisà (orixás) nagôs ou iorubás, há os que tecem correspondência e há os que não correspondem a estas divindades, mas estão presentes no sistema. Djogbe Medji governa o dia e encarna o espírito de Lissa, ao passo que Yeku governa a noite e encarna o espírito da grande mãe Mawu; as divindades da terra, ayi vodun, correspondem ao Fá dù (kpoli) Losso Medji; as divindades das águas, tò vodun, correspondem ao Fá dù Sa Medji, juntamente co-existem divindades nagôs e iorubás. Tòxósú (Tohosu) fala nas águas, onde é rei, mas sua presença é sempre indicada por um segundo Fa dù que corresponde a qual Tòxósú que fala.
O sitema é de 256 dùlé, sendo considerados 16 principais que se combinam entre si. Os 16 principais são:
Djogbe Medji ou Gbe Medji; Yeku Medji; Woli Medji; Din Medji; Losso Medji; Wlin Medji; Abla Medji; Aklan Medji; Guda Medji, Sa Medji; Ka Medji; Trukpin Medji ou Lelu Medji; Tula Medji; Lêtê Medji; Tche Medji; e Fu Medji. Esta é a ordem de chegada de cada dù principal.
Um ditado fon diz: "A ké nù dó gbè, Wú hún Fá né à yóló né gbé õ, Fá we nyí, Fá kan nyí gbè. (Se você comentar sobre a voz, significa que a chamas de Fá, porquê a voz é o Fá e o Fá é a voz). Quer dizer que na realidade quem fala é o vodun Fá indicando o vodun e a mensagem no caminho indicado que Legba traz.
Existem outras formas de consulta aos vòdúnlé (voduns), porém, o mensageiro é sempre o mesmo. Este é um dos principais papéis desempenhados por Legba.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Legba

Legba é o filho caçula de Mawu, de seu sétimo parto, que não herdou domínios no universo criado por seus pais quando houve partilha entre seus irmãos mais velhos, porquê ainda era muito criança para poder governar alguma parte da criação, porém, ficou incumbido de observar de tudo o que se passa na criação, nos governos de seus irmãos, entre seres humanos e no mundo espiritual, e tudo que houver, ver e ouvir, comunicar a Mawu.
Um vodum muito brincalhão, astuto, genioso, e por vezes vingativo. De raríssima inteligência.
Conta uma lenda que por não receber nenhum agrado após ter enchido de clientes um mercado, ele criou uma serpente e mandou que a mesma mordesse todos naquele mercado, e assim foi, só que um dia a serpente, de tanto morder, se esqueceu e mordeu ela mesma, então, procurou Legba para curá-la, para tal ele pediu um agrado, e ela lhe ofereceu akwé (dinheiro) então ele foi ao mercado e comprou ami-vovo (azeite- de-dendê) para beber, e se foi todo feliz.
Encontrando com um amigo pelo caminho, que lhe perguntou que bicho era aquele que mordia todo mundo no mercado, Legba sorrindo disse que era azé (feitiço) que ele sabia fazer, e que se o amigo quisesse, fizesse um feitiço sob encomenda, mas lhe oferecesse dois frangos, oitenta cauris, e outras coisas mais...e eis que imediatamente Legba ficou conhecido como grande feiticeiro naquele lugar.
Esta lenda do antigo Dahomey ilustra bem a figura de Legba e por que deve ser sempre reverenciado antes de qualquer ritual dentro do Candomblé.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Vodún e Meio Ambiente

As culturas fon e ewe estão intimamente relacionadas, o termo vodú é de procedência ewegbe, enquanto o termo vodún é de procedência fongbe. O Jeje Mahi possui muita influência da cultura ewe, além do nagô e de sua dialética, mas principalmente da cultura fon que é sua base, sem dúvida.
Os ewes visualizam seus voduns em terracotas dispostas em seus altares, que denominam "wen zen", na realidade são potes de barro decorados conforme o vodún ao qual pertencem e que encerram materiais ritualísticos diversificados de acordo com a divindade ali reverenciada, seria uma forma de poder mudar o local de culto de um lugar para o outro, talvez um costume introduzido em tempos de guerra com outras etnias, há também terracotas antropomorfas e zoomorfas representando voduns, e também fazendo referência a lendas, quase sempre presentes em ritos ewes. Os fons do gbè utilizam esse argumento de visualização em parte, não de uma forma geral, pois de forma geral o vodún fon é cultuado na natureza, nas águas, na terra e no atin (árvore) principalmente, daí o culto ao vodún passa a ser um protetor do meio ambiente, como acontece no Benin nos dias de hoje. Para se ter uma idéia no lago Azili, onde é cultuado o vodun Azili, a cerca de 200 km de Cotonou, não se lava nada com sabão, nada com pigmentos, nem mulher menstruada, nem pessoas com vestes vermelhas, que lembram sangue, atravessam o lago sagrado, pois o vodún proíbe tais atos. O resultado destas e outras proibições é que as águas do Azili são puras, podemos, inclusive, beber dela. As florestas da mesma forma, tidas como sagradas, passam a garantir a sobrevivência de inúmeras espécies de árvores e animais sagrados, muitos dos quais em extinção no globo, e consagrados aos voduns.

domingo, 6 de julho de 2008

O Jeje Mahi em Fase de Resgate Cultural

A nação Jeje Mahi tem sido na última década objeto de resgate cultural, entendido o candomblé como um conjunto de tradições, portanto uma cultura tradicional, diferentemente da Umbanda que é uma cultura popular e sofre rápidas e enormes aculturações. Acontece que muitos pesquisadores no afã de obter e divulgar as informações, sem um breve e bom conhecimento do que é uma cultura, em termos antropológicos, não conseguem captar as informações primordiais: A localidade e a formação étnica de origem desta cultura mahi no continente africano, e acabam por propagar termos e difundir ações de etnias paralelas aos mahis, que lhes influi, mas não lhes dão ênfase. Temos todos que primeiramente compreender que o Mahi vem do Gbe, um território cultural situado entre fons, ewes e awön yorùbá (Iorubás), uma região de sustento econômico para as etnias a seu derredor e onde vivem os nagôs. Jamais poderemos compreder voduns do Mina Jeje no Brasil como voduns mahis, existem voduns oriundos da Costa da Mina que são agregados em casa de Mahi, assim como no Mina existem voduns mahis agregados, o que acontece também com os awön òrisà (orixás), há os propriamente oriundos do gbe, englobados pela cultura mahi e os que não são do gbe e podem ser agregados em uma casa mahi, isto acontece no Brasil com a Casa de Nagô e o Nagô Vodum, formação que tende muito as tradições nagôs.

sábado, 5 de julho de 2008

Jeje Mahi e Nagô Vodum.

Em Mahi após o joá, primeira obrigação (bori) do kajèkaji (neófito), ocasião em que o mesmo se torna um joási (borizado), vem a iniciação, a feitura do vodún e um ano após se torna um hunsi ou vodunsi, ou seja : Um iniciado. As obrigações de ano da nação são de um e de sete anos de feitura, em Nagô Vodum, dá-se segundo o modelo ketu, com o qual se mescla culturalmente. Jeje Mahi não inicia para certas divindades de origem de culto fora do gbe, como acontece com o Ketu, que mesmo estando no gbe reverencia sua origem yorùbá. Osun Okpara e Sàngó Ayrá, cuja origem de culto está em Save Okpara, cidade da Chapada dos Mahis, são reverenciados, já outros títulos de Osun e de Sàngó de origem yorùbá, por exemplo, são encontrados no culto Nagô Vodum, que por ser muito mesclado ao culto dos nagôs, utiliza igbas, louças, etc, em seus acentamentos de modo a simbolizar a divindade ali reverenciada, as gayakus são as mães-no-santo do culto Nagô Vodum. Em Mahi só há símbolos e a representação do vodún é o pé-de-árvore ou "atin", ali são louvados os voduns e todo preceito de preparação do iniciado envolve o atin, o único vodún que é realmente acentado e preso é o grá (tradição mahi de Cachoeira, BA).
Uma gayaku pode ter sido feita no Mahi, mas ter tomado obrigação em Nagô Vodum e acentado sua divindade. Uma doné, ou mejitó pode ser uma gayaku, assim como uma gayaku pode ser uma doné ou mejitó desde que tenha recebido obrigação de seu vodún em Jeje Mahi.